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30/06/2003 - 05h28

Taxa de pobreza é mais alta entre negros

da Folha de S. Paulo

Nas duas maiores regiões metropolitanas do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, a linha que separa pobres do resto da população sobe ou desce de acordo com a cor da pele: nessas regiões, 44,4% dos negros _aproximadamente 5 milhões de pessoas_ estão abaixo da linha de pobreza.

Uma análise do economista Marcelo Paixão, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), mostra que a taxa de pobreza entre negros é 48,99% mais alta que entre brancos.

Nessas duas regiões metropolitanas, 29,8% dos brancos são pobres. Para o total da população dessas áreas, a taxa é de 35,5%.

O estudo mostra que a concentração de pobreza entre negros não é, como se poderia imaginar, restrita aos rincões do país e às comunidades descendentes de quilombos, mas também um problema das grandes metrópoles.

Na região metropolitana de São Paulo, os dados são ainda piores: 52,9% dos negros são pobres, ou seja, vivem com menos de R$ 176,29 mensais. A taxa é de 30,9% para os brancos. Na região metropolitana do Rio, a pobreza afeta 42,3% dos negros e 23,5% dos brancos. São pessoas que vivem com menos de R$ 135,02.

Para obter esses resultados, Paixão usou dados do Censo 2000 feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O economista contabilizou como negros, ou "afrodescendentes", a soma dos grupos que o IBGE classifica como pretos e pardos.

Depois aplicou a metodologia mais usada no Brasil para definir pobreza, a do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) _que classifica como pobres 33,64% da população brasileira, cerca de 57 milhões de pessoas.

A linha de pobreza indicada pelo Ipea é estabelecida a partir de uma cesta de referência que inclui alimentos e serviços essenciais, como saúde, educação e transportes. São considerados indigentes aquelas pessoas que não conseguem nem mesmo suprir necessidades alimentares mínimas: 14,6% dos brasileiros, cerca de 24,7 milhões de pessoas.

Nas duas regiões metropolitanas analisadas, as taxas de indigência também são mais altas entre negros _10,1%_ que entre brancos _5,7%. Para o total da população dessas áreas, a taxa de indigência é de 7,5%.

O estudo inaugura o Observatório Afro-Brasileiro, organização criada para divulgar indicadores socioeconômicos sobre população negra no Brasil. O centro tem o apoio do IPDH (Instituto Palmares de Direitos Humanos) e do Ceris (Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais).

O estudo mostra ainda que, nas regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo, os negros ganham salários mais baixos e são menos alfabetizados do que os brancos.

Em São Paulo, o rendimento per capita dos brancos (R$ 299,58) era, em média, 126,6% superior ao dos negros (R$ 132,23). No Rio, as mulheres brancas recebiam 105% a mais que as negras.

A concentração de pobreza entre negros é um problema nacional. O Ipea já apontou a existência de 46,8% de negros abaixo da linha de pobreza no Brasil. Entre brancos, a taxa é de 22,4%.

"A gente sabe que, no Brasil, a pobreza tem cor: é negra. Os negros estudam menos, ganham menos e são mais pobres", afirma Paixão, que é negro também.

Entre os pobres, os negros estão sempre sobre-representados, ou seja, aparecem em proporção maior do que a existente no conjunto da população.

Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, 45% dos pobres são negros, mas, na população em geral, a proporção de negros cai para 32,1%. No Rio acontece o mesmo: entre os pobres, 60,4% são negros, uma proporção maior de negros que a verificada na população total, 53,5%.

A situação se torna mais grave pela quantidade de pessoas afetadas _nas grandes metrópoles, o grupo negro, pobre e excluído está sempre na casa dos milhões de habitantes. Na região metropolitana de São Paulo, são 2,9 milhões de negros abaixo da linha de pobreza. Na região metropolitana do Rio, o número é de 2,1 milhões.

"Pouca gente se dá conta, mas, em números absolutos, São Paulo é a maior cidade negra do país", afirma Paixão.

A titular da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade, Matilde Ribeiro, reconheceu a concentração de pobreza entre negros e mulheres no Brasil e defendeu a utilização, em todas as políticas sociais, de mecanismos de combate à desigualdade racial. Ela defende a existência de cotas, principalmente nas áreas de educação e trabalho.
 

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