Indústria critica decisão da Anvisa
da Folha de S.PauloA Abimed (Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares) não concorda com a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de permitir a reutilização dos produtos de uso único.
A associação alega que não existe nenhuma garantia de que os hospitais irão cumprir o que prometem no protocolo.
"Não temos confiança de que o acordo será cumprido. Hoje já é proibido o reprocessamento de muitos materiais, mas os hospitais o fazem livremente. Não há fiscalização", afirma a farmacêutica Carla Viotto Belli, 32, uma das diretoras da Abimed.
"Elas [as indústrias] são contra e, por motivos óbvios, serão sempre contra", afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Cláudio Fernandes, referindo-se ao fato de o reprocessamento não ser vantajoso para as empresas do ponto de vista comercial.
A principal preocupação, segundo Carla Belli, é com os acidentes que podem ocorrer com o material reutilizado. "Os fabricantes garantem o primeiro uso. Não podem ser punidos por problemas que podem acontecer do segundo uso em diante", diz.
De acordo com a farmacêutica, em eventuais ações indenizatórias, as indústrias têm como provar --por meio da análise do desgaste do material ou de resíduos encontrados do processo de esterilização-- que o produto passou por reprocessamento.
Já segundo Fernandes, da Anvisa, o hospital será punido pelos acidentes que porventura ocorrerem com produtos reprocessados. "Os hospitais precisam ter responsabilidade sobre o que estão fazendo", afirma.
Para ele, há certos materiais que podem e devem ser reprocessados devido ao alto custo. "Quando limpos, esterilizados e funcionando perfeitamente, esses materiais não oferecem riscos."
O presidente da Federação Brasileira de Hospitais, Eduardo de Oliveira, concorda: "Nosso país é carente, não podemos ser perdulários. Já está provado que é possível fazer o reprocessamento de forma segura".


