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Cotidiano
26/08/2003 - 18h22

Acidente com caminhão que levava maconha frustrou prisões, diz PF

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PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília

O acidente com o caminhão dos Correios, que transportava entre 1,5 e duas toneladas de maconha, frustrou uma operação da Polícia Federal que poderia levar a outros integrantes da quadrilha envolvida com o tráfico de drogas entre o Rio de Janeiro e o Paraguai.

O veículo, que estava sendo perseguido pela polícia, foi apreendido por volta das 4h de hoje, na altura do km 238 da via Dutra, no município de Piraí (RJ), depois de perder o controle e bater contra uma mureta.

Para o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, o tombamento do caminhão "de certo modo abortou um trabalho mais profundo que iria ser realizado" para se chegar a uma "quadrilha importante". Ele afirmou, no entanto, que o trabalho de investigação continuará sendo feito.

"Mais uma vez o narcotráfico, de maneira criativa, tenta burlar a vigilância das autoridades e empreender suas operações. Criativos ou não, terminam sempre no mesmo lugar que é a cadeia", disse.

De acordo com Lacerda, o caminhão carregava 1.375 tijolos de maconha prensada (em torno de duas toneladas) --que estavam em caixas do próprio Correio--, cinco armas (duas escopetas e três pistolas 9 milímetros), além de munição, inclusive para fuzil. Somente a droga estaria avaliada em US$ 40 mil, segundo a PF.

Prisão

O motorista que transportava a droga, Daniel Esteves, 27, preso em flagrante, foi contratado pelos Correios por meio de concurso público em setembro do ano passado. A PF suspeita, no entanto, sobre a existência de outros envolvidos que possivelmente faziam a "segurança" do transporte da droga, mas que teriam fugido após o acidente.

Apesar do episódio envolvendo os Correios, o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, disse que não haverá prejuízo para a credibilidade da instituição, principalmente pelo fato de a observação de "anomalias" na empresa ter contribuído para a identificação do crime.

A credibilidade da empresa, no entanto, foi apontada pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, como um dos fatores que poderiam estar facilitando a ação dos traficantes. "Certamente esse esquema parte da boa imagem que os Correios têm e de uma certa interpretação de que há uma imunidade para o caminhão dos Correios", disse referindo-se à facilidade de circulação desses veículos.

Segundo o presidente dos Correios, Airton Dipp, a frota da empresa, considerando os próprios e terceirizados, é de aproximadamente 15 mil veículos. Os ministérios da Justiça e das Comunicações acertaram, então, que esses veículos também deverão ser fiscalizados como qualquer outro nas barreiras policiais.

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