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Cotidiano
09/09/2003 - 00h05

Pesquisa avalia evolução de ex-internos da Febem de São Paulo

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LÍVIA MARRA
da Folha Online

Ex-internos da Febem serão alvos de uma pesquisa que deverá ser realizada por meio de uma parceria entre a fundação e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O objetivo é identificar os fatores de risco que levam os jovens liberados das unidades de internação à reincidência.

A Febem (Fundação do Bem-Estar do Menor) possui cerca de 18.800 internos, sendo 12.300 em liberdade assistida --medida em que o adolescente fica em liberdade, mas é acompanhado por psicólogos e assistentes sociais. Dos jovens que atualmente cumprem a punição nas unidades de recuperação, 20,3% são reincidentes.

Os dados coletados com a pesquisa servirão de base para a formulação de políticas públicas e trabalhos comunitários que possibilitem a reintegração dos adolescentes após a internação. Um termo de cooperação técnica entre Febem e Unifesp foi assinado nesta segunda-feira.

Causas

Apesar de relatos sobre o aumento do número de internações e sobre as altas taxas de mortes de jovens que deixaram as unidades, a Febem e a Unifesp afirmam que pouco se sabe sobre os motivos que levam a piores evoluções entre jovens infratores.

Para os pesquisadores, embora alguns dos fatores possivelmente associados à pior evolução sejam difíceis de modificar --como estruturação e renda familiar--, é possível adotar políticas que priorizem os ex-internos, como vínculos com instituições da rede de assistência social, programas de treinamento para trabalho e tratamento para usuários de drogas.

Pesquisa

Os trabalhos serão realizados, inicialmente, com uma amostra de 160 jovens --130 meninos e 30 meninas-- com idade entre 12 e 17 anos, divididos de acordo com idade, grau do delito e reincidência.

Depois, serão analisados 16 garotas e 32 garotos. A análise, neste caso, envolverá uso de drogas e envolvimento com tráfico.

A pesquisa será desenvolvida por profissionais do Projeto Quixote, ligado ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, em parceria com a Universidade McMaster do Canadá. A previsão é de que o estudo seja concluído em dois anos.

Crimes

Segundo a Febem, casos de roubo lideram as internações. Em seguida estão casos de homicídio, tráfico de drogas e roubos.

Jovens com idades entre 15 e 17 anos são maioria nas unidades da Febem (68%), seguidos dos internos com mais de 18 anos (25%) e infratores com idades entre 12 e 14 anos (7%).

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) estabelece que menores de 18 anos que sejam punidos por crimes fiquem no máximo três anos em regime de internação, ou seja, no máximo, até os 21 anos.

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