Para moradores, Florianópolis perdeu parte do encanto com blecaute
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JAIRO MARQUESda Agência Folha, em Florianópolis
A ilha da Magia, como muitos conhecem a capital catarinense, Florianópolis (SC), perdeu parte de seu encanto para muitos moradores da cidade desde a tarde de quarta-feira. A falta de energia elétrica e de água, o trânsito congestionado em vários pontos e mais a perda de alimentos pela ausência de refrigeração foram transtornos que cerca de 300 mil pessoas tentavam driblar.
Ângela Martins, 37, grávida de seis meses se disse "arrasada" com o blecaute. Ela é zeladora de um prédio com 12 andares no centro da ilha.
"Perdi tudo o que tinha na minha geladeira. Estamos tomando banho de caneca [ela, o marido e dois filhos]. Estou com muita dificuldade para trabalhar, para dar conta do prédio todo." Algumas famílias optaram por deixar a ilha para tentar fugir dos transtornos. A dona-de-casa Miriam Ferreira Annani, 44, e o filho Gabriel, 19, iriam para Balneário Camboriú.
"Sem luz, fica tudo muito triste, deserto. Eu nunca tinha visto algo assim na minha vida. É uma calamidade. Vamos sair hoje daqui", declarou.
A família Annani, além de ter de se adaptar à falta de energia, de água e de telefonia celular, enfrenta o barulho incessante de um gerador de emergência ligado a um hospital que fica ao lado do prédio onde mora, em área nobre da capital.
"Não consegui dormir a noite toda. Estou zonzo, e a dor de cabeça não passa", declarou Gabriel. Assim como os Annani, os funcionários dos hospitais demonstram muito cansaço e esgotamento.
O eco dos geradores e o barulho dos motores dos carros são os sons que dominavam boa parte do município, sobretudo na avenida Beira-Mar, onde ficam hotéis e prédios mais sofisticados.
A aposentada Paraqevi Kotzias Atherino, 78, portadora do mal de Alzheimer, teve de descer oito andares, pelas escadas, para sair do prédio onde mora. Ela disse que "não demorou muito" para vencer os obstáculos. Atherino ia ser levada para casa de familiares, na parte continental da cidade.
"O tempo parece que não passa. Sem energia, tudo fica parado, sem vida", disse o funcionário público Carlos Antônio Bleggi, 46, que comprou R$ 100 em mantimentos como água, comida enlatada, pão e gelo. Assim como ele, centenas de pessoas lotaram os supermercados à procura de mantimentos.
No mercado público, onde em um dia normal o movimento é intenso, apenas uma das 15 peixarias abriu as portas. Tiago Santos, filho do proprietário, Nelson Santos, lamentou a falta de compradores.
"Geralmente vendemos R$ 4.000 por dia e hoje vendemos apenas 20%." A peixaria investiu em uma tonelada de gelo para manter os peixes frescos. Os comerciantes alugaram um caminhão frigorífico para salvar os pescados.
Colaborou MARIELLA LOPES, da Agência Folha, em Florianópolis
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