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Cotidiano
05/11/2003 - 20h15

Governo de SP descarta atender exigências de presos

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da Folha Online

Ataques contra as polícias Militar e Civil e contra a Guarda Civil Metropolitana ocorrem desde domingo em São Paulo. As ações, atribuídas pela polícia à facção criminosa PCC, seriam uma forma de pressionar o governo para alterar as rígidas imposições do RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), adotado nos presídios de Presidente Bernardes, Avaré e Taubaté, onde estão os líderes da facção. Os atentados deixaram dois PMs mortos.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou atender exigências de detentos.

"É uma reação de bandidos. É preciso manter as penitenciárias de segurança máxima e o regime disciplinar diferenciado", afirmou.

Pelo menos 20 ações contra a polícia e a guarda foram contabilizadas. Foram tiros disparados contra bases comunitárias da GCM (Guarda Civil Metropolitana de São Paulo), postos policiais, carros e delegacias. Também foram lançadas granadas. Além da capital, os atentados foram registrados no ABC paulista e na Baixada Santista.

Lista de pedidos

Uma lista de reivindicações foi entregue pelo PCC à direção do Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes (589 km de SP). Na última quarta-feira, os presos Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, e Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu, líderes do PCC, pediram audiência com o diretor do presídio para entregar uma lista de exigências que modificam o funcionamento do RDD e ampliam a variedade de itens de limpeza, de higiene e, principalmente, de alimentos que eles podem receber dos familiares.

"Não tem o menor cabimento essa lista de exigências. A polícia, como nos casos anteriores, está trabalhando, identificando e vai prender esses criminosos", disse o governador.

Entre os pedidos estão visita íntima uma vez ao mês, duas horas de banho de sol por dia, liberação de carta, rádio AM/FM, banho quente, além de diversos produtos de alimentação como rocambole, água de coco e leite condensado.

Caso os pedidos não fossem atendidos em 30 dias, a organização daria início a "movimentos" dentro e fora das prisões. O RDD foi criado após a megarrebelião organizada pela facção criminosa em fevereiro de 2001, que atingiu 29 unidades prisionais.

Suspeitos

A Secretaria da Segurança Pública afirma que seis suspeitos de envolvimento nos ataques contra a polícia e na tentativa de resgate de presos em Tremembé (138 km a nordeste de São Paulo), no último domingo, já foram detidos.

A onda de ataques é uma reação contra a repressão ao crime, na avaliação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

"A avaliação da inteligência da Polícia Federal é de uma crise provocada pelo endurecimento contra o crime organizado em São Paulo, que tende a decrescer", afirmou.

Com governo do Estado

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