16/04/2004
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15h42
da Folha Online, em Brasília
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, criticou nesta sexta-feira os governos federal e do Rio de Janeiro em relação a políticas de Segurança Pública.
Soares acusou a União de não cumprir nenhuma das medidas previstas pelo Plano Nacional de Segurança Pública. Ele atacou também ao dizer que o governo federal reduziu, de forma inédita, os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.
"Nada foi feito, nem sequer a suspensão dos contingenciamentos foi feita. Pelo contrário, do ano passado para este ano o Fundo Nacional de Segurança Pública sofreu um corte de 10%. No governo Fernando Henrique [1995-2002], nós reclamávamos que os aumentos eram pequenos e agora, pela primeira vez, houve redução dos recursos", disse.
Soares, que também ocupou o cargo de coordenador de Segurança e Cidadania do Rio de Janeiro, durante o governo Anthony Garotinho (1998-2002), afirmou que está havendo muito pouca "humildade" e muita "ironia" no tratamento da Segurança Pública.
"Há muito pouca humildade. Há muita ironia. Há muito esforço para buscar bodes expiatórios. No fundo há uma disputa política, o que é muito triste", declarou.
Segundo Soares, o momento é de ter "grandeza" e "renunciar a ambições políticas". Só assim, disse, se poderá reconhecer que, individualmente, ninguém tem condições para resolver a situação no Rio, apontada por ele como "dramática". O ex-secretário participou nesta sexta-feira de um seminário organizado pelo PPS sobre o Golpe de 1964.
Atritos antigos
Em março de 2000, Soares foi demitido do cargo de coordenador por Garotinho durante uma entrevista à televisão. Quando saiu, ele acusou Garotinho de ter nomeado para cargos de chefia da área pessoas da chamada "banda podre" da polícia.
No governo Luiz Inácio Lula da Silva, Soares ocupou o cargo de secretário nacional de Segurança Pública no Ministério da Justiça, do qual pediu demissão em 21 de outubro do ano passado.
Rocinha
Ao falar especificamente sobre a situação na favela da Rocinha, Soares disse que a guerra de quadrilhas na região é apenas mais um capítulo de uma crise antiga. "Precisamos reconhecer que a Rocinha é apenas um nome no meio de uma crise que se arrasta há décadas".
Ao citar as medidas que diz considerar necessárias para combater a violência e o crime organizado no Rio, Soares sugeriu a aposentadoria e substituição dos policiais envolvidos com o crime. Sobre o uso das Forças Armadas, ele ressaltou a necessidade das três armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) participarem de uma ação conjunta.
Segundo Soares, a Marinha faria o serviço de guarda costeira, para evitar a entrada de drogas no Estado, a Aeronáutica identificaria pistas clandestinas de pouso usadas por traficantes e o Exército faria os serviços de inteligência e um anel rodoviário de proteção ao Rio.
Outro lado
A Folha Online entrou em contato com o Ministério da Justiça, cuja assessoria de imprensa informou que as medidas do Plano Nacional de Segurança estão sendo cumpridas "dentro das possibilidades". Quanto ao corte de recursos, a assessoria informou apenas que os repasse para o Rio estão sendo "legalmente" limitados porque o governo do Estado está inadimplente com a União.
Já a assessoria da Secretaria de Segurança do Estado do Rio, também foi procurada pela reportagem, mas até as 15h30, não houve resposta às declarações de Soares.
Ex-secretário nacional de Segurança critica União e governo do Rio
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RICARDO MIGNONEda Folha Online, em Brasília
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, criticou nesta sexta-feira os governos federal e do Rio de Janeiro em relação a políticas de Segurança Pública.
Soares acusou a União de não cumprir nenhuma das medidas previstas pelo Plano Nacional de Segurança Pública. Ele atacou também ao dizer que o governo federal reduziu, de forma inédita, os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.
"Nada foi feito, nem sequer a suspensão dos contingenciamentos foi feita. Pelo contrário, do ano passado para este ano o Fundo Nacional de Segurança Pública sofreu um corte de 10%. No governo Fernando Henrique [1995-2002], nós reclamávamos que os aumentos eram pequenos e agora, pela primeira vez, houve redução dos recursos", disse.
Soares, que também ocupou o cargo de coordenador de Segurança e Cidadania do Rio de Janeiro, durante o governo Anthony Garotinho (1998-2002), afirmou que está havendo muito pouca "humildade" e muita "ironia" no tratamento da Segurança Pública.
"Há muito pouca humildade. Há muita ironia. Há muito esforço para buscar bodes expiatórios. No fundo há uma disputa política, o que é muito triste", declarou.
Segundo Soares, o momento é de ter "grandeza" e "renunciar a ambições políticas". Só assim, disse, se poderá reconhecer que, individualmente, ninguém tem condições para resolver a situação no Rio, apontada por ele como "dramática". O ex-secretário participou nesta sexta-feira de um seminário organizado pelo PPS sobre o Golpe de 1964.
Atritos antigos
Em março de 2000, Soares foi demitido do cargo de coordenador por Garotinho durante uma entrevista à televisão. Quando saiu, ele acusou Garotinho de ter nomeado para cargos de chefia da área pessoas da chamada "banda podre" da polícia.
No governo Luiz Inácio Lula da Silva, Soares ocupou o cargo de secretário nacional de Segurança Pública no Ministério da Justiça, do qual pediu demissão em 21 de outubro do ano passado.
Rocinha
Ao falar especificamente sobre a situação na favela da Rocinha, Soares disse que a guerra de quadrilhas na região é apenas mais um capítulo de uma crise antiga. "Precisamos reconhecer que a Rocinha é apenas um nome no meio de uma crise que se arrasta há décadas".
Ao citar as medidas que diz considerar necessárias para combater a violência e o crime organizado no Rio, Soares sugeriu a aposentadoria e substituição dos policiais envolvidos com o crime. Sobre o uso das Forças Armadas, ele ressaltou a necessidade das três armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) participarem de uma ação conjunta.
Segundo Soares, a Marinha faria o serviço de guarda costeira, para evitar a entrada de drogas no Estado, a Aeronáutica identificaria pistas clandestinas de pouso usadas por traficantes e o Exército faria os serviços de inteligência e um anel rodoviário de proteção ao Rio.
Outro lado
A Folha Online entrou em contato com o Ministério da Justiça, cuja assessoria de imprensa informou que as medidas do Plano Nacional de Segurança estão sendo cumpridas "dentro das possibilidades". Quanto ao corte de recursos, a assessoria informou apenas que os repasse para o Rio estão sendo "legalmente" limitados porque o governo do Estado está inadimplente com a União.
Já a assessoria da Secretaria de Segurança do Estado do Rio, também foi procurada pela reportagem, mas até as 15h30, não houve resposta às declarações de Soares.

