09/05/2004
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19h33
A governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), se reúne na segunda-feira (10), no Palácio Guanabara, com os ministros da Defesa, José Viegas, da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Articulação Política, Aldo Rebelo, para discutir os ajustes de uma operação conjunta entre os governos federal e estadual para o combate ao crime, que inclui a definição da atuação do Exército.
Na ocasião, serão debatidas as seis propostas feitas pelo governo do Estado ao governo federal, em 28 de abril. Rosinha solicitou, entre os outros itens, o envio de 4.000 homens das Forças Armadas para atuarem diretamente nos morros e favelas. O encontro, que sacramentará o uso das Forças Armadas, contará ainda com as presenças dos secretários de Segurança, Anthony Garotinho, e da Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos.
"Eu estou muito otimista. Fiz um pedido com seis pontos específicos e espero que possam ser todos cumpridos, porque todos são da responsabilidade do governo federal. Vamos aguardar o entendimento. A única coisa que queremos é unir esforços. Se o governo federal aceitou conversar, é porque algo irá acontecer", disse a governadora neste domingo.
Atuação
Em entrevista à Folha no último dia 4, Viegas afirmou que as Forças Armadas estarão em condições de atuar a partir desta segunda. "A partir do dia 10 [segunda-feira], as Forças Armadas já estarão em condições práticas de atuar."
O Exército, como afirmou no último sábado o ministro da Defesa, vai colaborar com o governo do Rio com "operações pontuais" e na elaboração de estratégias para o combate ao crime. As Forças Armadas, segundo o ministro, não assumirão papel de polícia. A intenção é trabalhar em conjunto com a polícia estadual.
Viegas disse que a violência no Rio de Janeiro "não é um problema militar e por isso não se pode pensar em uma solução militar para um problema que não é dessa natureza". "É a missão do Exército se preparar para uma guerra. Não é uma função de polícia, sabemos disso com clareza, mas as Forças [Armadas] estão prontas para atuar", afirmou, ao comentar sobre a atuação das Forças Armadas no combate ao crime no Rio, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, disse que os militares não participarão de operações ofensivas --o popular "subir no morro"-- para trocar tiros com criminosos. Deverão se concentrar-se em ações de inteligência, apoio à polícia, cerco e eventual ocupação e varredura das favelas após conflitos.
Os acertos sobre a cooperação entre os governos, porém, deverão ser divulgados somente após a reunião desta segunda-feira.
Pedido
Na última quarta-feira (5), durante almoço ocorrido no Palácio Guanabara (sede do governo do Rio), a governadora e o secretário da Segurança entregaram aos comandantes militares do Estado as propostas que foram entregues por Rosinha ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 28 de abril, em Brasília.
Ao reiterar o pedido diretamente ao presidente, Rosinha disse que deixou claro que a utilização das tropas federais seria temporária, enquanto não entrar em operação o futuro Batalhão de Ocupação Permanente da Polícia Militar. A nova unidade da PM atuará de forma preventiva nas áreas mais violentas do Rio, como as favelas dos complexos do Alemão e da Maré.
"O fim da violência depende de ação conjunta de toda a sociedade. O ser humano é violento porque alguém falhou em algum momento. Portanto, temos que fazer a nossa parte. Temos de deixar de contribuir com os violentos. As pessoas que compram drogas, por exemplo, estão contribuindo para o armamento. O governo do Estado está fazendo a sua parte. Que cada um faça a sua e reflita. Porque a vida é uma só", disse Rosinha neste domingo.
2003
A última vez que militares atuaram contra o crime no Rio foi no Carnaval de 2003, depois de uma série de ataques promovidos por traficantes. À época, o objetivo da presença do Exército em determinados pontos era liberar policiais militares para operações contra criminosos.
Desta vez, a governadora pediu que as Forças Armadas atuem na ocupação de áreas onde são registrados conflitos.
Com Folha de S.Paulo
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da Folha OnlineA governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), se reúne na segunda-feira (10), no Palácio Guanabara, com os ministros da Defesa, José Viegas, da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Articulação Política, Aldo Rebelo, para discutir os ajustes de uma operação conjunta entre os governos federal e estadual para o combate ao crime, que inclui a definição da atuação do Exército.
Na ocasião, serão debatidas as seis propostas feitas pelo governo do Estado ao governo federal, em 28 de abril. Rosinha solicitou, entre os outros itens, o envio de 4.000 homens das Forças Armadas para atuarem diretamente nos morros e favelas. O encontro, que sacramentará o uso das Forças Armadas, contará ainda com as presenças dos secretários de Segurança, Anthony Garotinho, e da Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos.
T.Vieira/Folha Imagem |
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| Exército no Rio, durante o Carnaval do ano passado |
Atuação
Em entrevista à Folha no último dia 4, Viegas afirmou que as Forças Armadas estarão em condições de atuar a partir desta segunda. "A partir do dia 10 [segunda-feira], as Forças Armadas já estarão em condições práticas de atuar."
O Exército, como afirmou no último sábado o ministro da Defesa, vai colaborar com o governo do Rio com "operações pontuais" e na elaboração de estratégias para o combate ao crime. As Forças Armadas, segundo o ministro, não assumirão papel de polícia. A intenção é trabalhar em conjunto com a polícia estadual.
Viegas disse que a violência no Rio de Janeiro "não é um problema militar e por isso não se pode pensar em uma solução militar para um problema que não é dessa natureza". "É a missão do Exército se preparar para uma guerra. Não é uma função de polícia, sabemos disso com clareza, mas as Forças [Armadas] estão prontas para atuar", afirmou, ao comentar sobre a atuação das Forças Armadas no combate ao crime no Rio, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, disse que os militares não participarão de operações ofensivas --o popular "subir no morro"-- para trocar tiros com criminosos. Deverão se concentrar-se em ações de inteligência, apoio à polícia, cerco e eventual ocupação e varredura das favelas após conflitos.
Os acertos sobre a cooperação entre os governos, porém, deverão ser divulgados somente após a reunião desta segunda-feira.
Pedido
Na última quarta-feira (5), durante almoço ocorrido no Palácio Guanabara (sede do governo do Rio), a governadora e o secretário da Segurança entregaram aos comandantes militares do Estado as propostas que foram entregues por Rosinha ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 28 de abril, em Brasília.
Ao reiterar o pedido diretamente ao presidente, Rosinha disse que deixou claro que a utilização das tropas federais seria temporária, enquanto não entrar em operação o futuro Batalhão de Ocupação Permanente da Polícia Militar. A nova unidade da PM atuará de forma preventiva nas áreas mais violentas do Rio, como as favelas dos complexos do Alemão e da Maré.
"O fim da violência depende de ação conjunta de toda a sociedade. O ser humano é violento porque alguém falhou em algum momento. Portanto, temos que fazer a nossa parte. Temos de deixar de contribuir com os violentos. As pessoas que compram drogas, por exemplo, estão contribuindo para o armamento. O governo do Estado está fazendo a sua parte. Que cada um faça a sua e reflita. Porque a vida é uma só", disse Rosinha neste domingo.
2003
A última vez que militares atuaram contra o crime no Rio foi no Carnaval de 2003, depois de uma série de ataques promovidos por traficantes. À época, o objetivo da presença do Exército em determinados pontos era liberar policiais militares para operações contra criminosos.
Desta vez, a governadora pediu que as Forças Armadas atuem na ocupação de áreas onde são registrados conflitos.
Com Folha de S.Paulo
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