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Cotidiano
03/08/2004 - 22h56

Procurador acusa grupo de usar sonífero para fraudar vestibular

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SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

Além da cola eletrônica, a quadrilha acusada de fraudar o vestibular de medicina da Ufac (Universidade Federal do Acre), em 2002, usou sonífero para atrapalhar o desempenho dos demais candidatos do concurso e beneficiar os estudantes cúmplices da fraude.

A afirmação consta da denúncia apresentada segunda-feira pelo procurador Marcus Vinícius Aguiar Macedo à Justiça Federal.

Segundo o depoimento de um dos estudantes envolvidos na fraude, dois candidatos injetaram sonífero em chicletes que foram distribuídos em frente ao local das provas por duas pessoas contratadas e que vestiam camisetas promocionais da marca.

De acordo com o depoimento, estudantes também colocaram sonífero no suco de laranja servido no café da manhã de três hotéis onde diversos candidatos estavam hospedados.

Acusação

Nesta terça, a Justiça Federal acatou a denúncia contra dez supostos integrantes da quadrilha e 28 estudantes que participaram da fraude. Eles irão responder processo pelos supostos crimes de estelionato e falsidade ideológica.

Quatro estudantes foram denunciados também pelo crime de envenenamento de substância alimentícia e irão responder processo criminal. Na quarta-feira, acontecem os primeiros depoimentos.

Em maio, uma ação civil pública afastou liminarmente 21 estudantes do curso de medicina da Ufac suspeitos de terem se beneficiado com a fraude. A decisão foi mantida pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, com sede em Brasília.

O Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de 28 pessoas, o que não foi aceito pela Justiça.

A reitora interina da Ufac, Carolina Sampaio Barreto, disse que a instituição não irá se manifestar neste momento e que o destino das vagas será decidido pelo Conselho Universitário.

As investigações sobre a fraude começaram em setembro de 2003, com base na informação de que um grupo de estudantes, que cursavam anteriormente o curso de medicina na Bolívia, obteve a mesma pontuação nas provas de múltipla escolha e queda acentuada no desempenho na redação.

Pelo menos três integrantes da quadrilha estão presos. Eles foram detidos em um flagrante armado pela Polícia Federal, em junho passado, no vestibular da Universidade São Francisco, em São Paulo. Segundo o Ministério Público, a quadrilha atuava desde 1988 em dez Estados.

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