Marina
Rosenfeld
Luciana Lino (colaboração)
Ao contrário do que se imagina, 70,9% das pessoas
em situação de rua trabalham no Brasil. 48%,
entretanto, nunca tiveram carteira de trabalho assinada. Essa
é a conclusão da Pesquisa Nacional sobre a População
em Situação de Rua, realizada pelo Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
No geral, os moradores de rua trabalham como catador de material
reciclável (27,5%), flanelinha (14,1%), na construção
civil (6,35%), na limpeza (4,2%) e como carregador/estivador
(3,1%). Apenas 15,7% dos que moram na rua têm a esmola
como principal meio de sobrevivência. De acordo com
o levantamento, a maioria (52,6%) tem renda entre R$ 20 e
R$ 80 por semana.
Em relação à freqüência escolar,
o levantamento mostra que 95% não estudam atualmente.
74% dos entrevistados sabem ler e escrever, mas 63,5% não
concluíram o ensino fundamental.
De acordo com o estudo, os problemas causados pelo alcoolismo
e as drogas são apontados como o principal motivo para
passar a viver na rua: 35,5% fizeram esta afirmação.
O desemprego, em 30% dos casos, e os conflitos familiares,
em 29%, compõem o quadro de razões que os levam
para as ruas.
A pesquisa foi realizada em outubro de 2007 e envolveu 71
municípios (23 capitais e 48 cidades com mais de 300
mil habitantes). O levantamento identificou 31.992 pessoas
com 18 anos ou mais de idade em situação de
rua.
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