Erika
Vieira
A inserção em um cursinho popular não
se limita apenas a uma oportunidade de ingresso à faculdade.
O aluno e mestrado em psicologia da USP, Allan Saffiotti,
em sua tese “Crise e transformação”
identificou casos nos quais o cursinho significava oportunidade
de vivência comunitária e social para os estudantes
de baixa renda.
O cursinho não se limita a função de
uma etapa preparatória para o vestibular. Vai além,
ganhando caráter de ferramenta que possibilita o acesso
ao conhecimento de forma menos instrumental.
Alunos de 19 anos de idade foram entrevistados, todos com
histórico de humilhação social e moradores
da periferia da cidade de São Paulo, como os bairros
do Jardim Educandário (zona oeste), Vila Alpina (zona
leste), Brasilândia e Freguesia do Ó (zona norte).
Além do nível social, os escolhidos tinham como
característica comum o olhar instigante sobre a universidade
pública como um instrumento fundamental de mobilidade
e de ascensão sociais.
Saffioti escolheu o tema, pois ele próprio teve sua
trajetória pessoal marcada pelo cursinho popular. Durante
esse período, dava aulas de reforço de biologia
no cursinho em que estudou. Depois que entrou na universidade,
criou o Plantão Psicológico do Cursinho que,
em pouco tempo, foi apropriado pelos alunos.
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