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Evento
global critica 'cultura do carro'
Ignorados por motoristas e com raros espaços transitáveis
em São Paulo, um grupo de ciclistas promete chamar
a atenção, no sábado. Com eventos simultâneos
em cidades como Londres, Vancouver e Auckland, o World Naked
Bike Ride (passeio ciclístico nu na cidade) chega à
capital pela primeira vez, com direito ao slogan "as
bare as you dare" - "tão nu quanto você
ousar".
São esperados pelo menos 200
participantes, a partir das 14 horas, na Praça do Ciclista,
na altura no número 2.440 da Avenida Paulista. O passeio
vai percorrer toda a via. Em cidades onde o evento é
realizado desde 2005, como Londres, mais de 30 mil pessoas
devem estar no Hyde Park para a largada do protesto.
"Não existe nenhuma conotação
erótica no evento, as pessoas podem ir de roupa. O
importante é chamar a atenção dos motoristas
para alguém que eles ignoram no dia-a-dia no trânsito",
explica o programador André Pasqualini, de 34 anos,
"cicloativista" e um dos organizadores da edição
brasileira. Os cartazes do evento em São Paulo circulam
em blogs e sites de ciclismo, como o www.ciclobr.com.br. "Nos
outros anos, tentamos organizar algo parecido, mas não
deu certo. Desta vez, realmente será o primeiro ano
de São Paulo", completou.
Por que pedalar nu? "Porque é
como os ciclistas se sentem, disputando espaço com
os veículos motorizados. Enquanto os motoristas estão
protegidos de todos os lados, com freios ABS, air bags, cintos,
barras de proteção lateral, nós só
contamos com a esperança de sermos vistos e respeitados",
diz o informe do evento.
Os organizadores também advertem
que os adeptos do nu poderão "disfarçar
o pudor pintando o corpo". Ficar sem roupa em lugar público
é considerado atentado ao pudor e pode resultar em
detenção de até dois anos.
A partir do meio-dia, haverá
pintura dos corpos e preparação das alegorias
na Praça do Ciclista.
Também participam do
World Naked Bike Ride, mas em outras datas, Madri, Paris,
Cidade do México e Montreal. Nessas cidades, o movimento
tem sido engrossado nos últimos anos por skatistas,
que decoram seus corpos com mensagens de protesto contra a
"cultura do carro".
Diego Zanchetta
O Estadão de S.Paulo
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