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LONDRINA
( PR) - Raphael Augusto Fagion, Larissa Costa Saderi e o garoto
T. F são de classes sociais diferentes mas têm
em comum o circo. Eles freqüentam a Escola de Circo de
Londrina e alimentam o sonho de percorrer o Brasil, e quem
sabe o mundo, entre camas elásticas, trapézios
e muita lona.
Diferente dos circos tradicionais,
a Escola de Circo de Londrina, no centro da cidade, traz um
conceito inovador de espetáculo circense. Chamado de
novo circo, o método preparatório leva ao picadeiro
a expressão corporal como destaque. "O circo passa
por uma transformação, em que não utilizamos
mais animais e, sim, prezamos a utilização do
próprio corpo", destaca Luiz Henrique Silva, coordenador
de produção.
A escola existe desde junho do ano
passado e conta com o apoio do Circo Soleil, que viabiliza
os materiais pedagógicos e uniformes; da sercomtel
que cedeu o terreno para a instalação do circo,
que atualmente atende 200 alunos com idade a partir dos 12
anos. As atividades desenvolvidas também privilegiam
a reabilitação de jovens.
Este é o caso do adolescente
T. F., de 16 anos, morador de São Jerônimo da
Serra, no norte do Paraná, que depois de algumas passagens
pelo Centro Integrado de Adolescentes Infratores (Ciadi) e
Educandário encontrou no circo, a grande chance de
reabilitação.
Segundo ele, foi feito um acordo com
a psicóloga do centro em que ele ficaria em regime
semi-aberto, tendo de freqüentar aulas na escola. O garoto
fez um teste de aptidão, uma espécie de vestibular,
e foi aprovado. Hoje, compõe o quadro daqueles que
estão no estágio para profissionalização
na área de circo.
Para ele, esta é uma nova etapa
em sua vida. Ele diz que pode sonhar com um futuro, talvez
percorrendo o Brasil e o mundo, levando alegria para as pessoas.
Com malabares e não com armas em punho, ele diz esperar
arrancar muitos sorrisos da platéia e deixar para trás
as celas frias, o desconforto e o perigo das ruas. "Quero
me tornar um grande artista para ajudar meus pais", ressalta.
A esperança de se tornar um
grande artista também alimenta a imaginação
do adolescente Raphael Augusto Fagion, de 17 anos, que mora
na zona norte de Londrina, com a mãe e avó,
e mesmo sem o apoio delas, continua freqüentando as aulas
na Escola de Circo.
Para continuar a freqüentar as
aulas da escola, Raphael também participa das atividades
da Guarda Mirim que lhe garante o transporte. Ele diz que
a caminhada entre a Guarda Mirim, que fica localizada perto
do Aeroporto, até a escola é grande. Mas, segundo
o garoto, é um esforço que compensa. "A
Guarda Mirim serve de ponte para que eu possa continuar a
participar das aulas de circo. Eu gosto do que eu faço
e pretendo continuar," afirma o jovem.
A garota Larissa Costa Saderi, de
12 anos, é de classe média alta mas tem o mesmo
objetivo que seus colegas. Portanto, isso quebra as barreiras
do preconceito e comprova que o circo está cada vez
mais democrático. Ela faz alguns planos para o futuro,
entre eles, de ser uma grande equilibrista. "Pretendo
me formar em educação física e, assim,
como minha mãe, percorrer o mundo com o circo",
afirma.
Ela conta que tudo começou
quando teve a curiosidade de saber o que era aquela lona esticada
no terreno da Sercomtel que tinha um barracão sem uso
na avenida Higienópolis, a principal do centro da cidade.
Um professor informou a ela que se tratava de uma escola para
formação de artistas circenses e, desde então,
ela está entre os alunos em fase de conclusão
de curso.
CRISTIANO SILVA
do jornal laboratório Online Com Texto
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