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O
governo FHC acabou
O começo
do racionamento de energia elétrica nesta semana é
a marca simbólica do fim do governo do presidente Fernando
Henrique Cardoso.
Até
agora, o prestígio do presidente conseguia sobreviver
aos desgastes econômicos, morais ou políticos,
porque estava ancorado na sensação de competência,
atrelada à vitoriosa luta contra a inflação
e, mais recentemente, ao retorno ao crescimento econômico.
Mas o
racionamento transmitiu a mensagem de que o governo é
incompetente, descuidado e omisso, jogando o país desnecessariamente
numa monumental crise.
A população
não está interessada, agora, em saber exatamente
quem são os culpados pela irresponsabilidade energética:
a primeira cara que aparece na frente é a do presidente
da República. Se o governo, por acaso, fizer o sucessor,
será muito mais pela força da máquina
administrativa ou incompetência das oposições,
e não pela figura de Fernando Henrique Cardoso.
Considero
injusto julgar toda uma administração apenas
por uma crise energética, por mais profunda que seja
- e é. No futuro, com mais distância dos fatos,
a história vai avaliar a importância do fim da
inflação, a aceleração dos processos
de privatização, da lei de responsabilidade
fiscal, da maior abertura ao capital estrangeiro, das melhorias
da educação. Essa é tarefa dos historiadores.
O problema
é que FHC está nas mãos dos eleitores
que, corretamente, sentem-se vítimas de uma irresponsabilidade
que corta empregos e salários, retarda investimentos.
E faz eleitores abrirem-se para as promessas de políticos
confusos e histriônicos como Itamar Franco, que faz
tudo para faturar com a crise. Alguns, os mais desinformados,
levam mesmo a sério o show de bobagens éticas
do ex-senador Antônio Carlos Magalhães.
O presidente
tem pouco tempo para se recuperar. Necessitaria de um crescimento
acelerado e muito dinheiro para gastar em obras sociais, além
de limpar o governo das sombras de corrupção.
Isso quer dizer que ele simplesmente não tem tempo
- vai ter de esperar (e torcer) pelos historiadores.
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