Uma das
principais organizações de consumidores dos
EUA, a Public Citizen, pediu no último dia 24 de janeiro
que a FDA, agência que regula o setor de medicamentos
no país, retire imediatamente do mercado os antiinflamatórios
Celebra e Bextra, que também são vendidos no
Brasil, e não aprove outros dois porque todos aumentariam
o risco de ataques cardíacos.
A entidade baseia-se na revisão de 14 estudos randomizados
realizados em vários centros para fazer o pedido.
Em setembro foi retirado do mercado mundial o Vioxx, também
em razão do aumento de riscos cardiovasculares. Tanto
o Bextra quanto o Celebra já estavam sob suspeita após
a saída do concorrente.
No pedido, a entidade de consumidores também pressiona
pela não aprovação do Arcoxia e do Prexige,
em estudo nos EUA. O primeiro, no entanto, já tem a
venda autorizada no Brasil.
Todas as drogas fazem parte da classe dos inibidores de COX-2,
lançadas sob a promessa de causar menos efeitos gastrointestinais
do que os antiinflamatórios tradicionais.
"Todas as cinco drogas aumentam os riscos cardiovasculares",
afirmou ontem o médico Sidney Wolfe, diretor da área
de pesquisa da entidade.
A FDA deve fazer um encontro para discutir o risco-benefício
dos medicamentos que ainda estão no mercado. A Anvisa
ainda não tem previsão de quando terminam as
discussões nacionais sobre o que fazer com os remédios
da classe que restam no mercado.
A Public Citizen foi a entidade que acusou anteontem a Pfizer,
fabricante do Celebra e do Bextra, de ter escondido um estudo
que demonstrou problemas cardiovasculares em pacientes que
utilizaram a primeira droga, quando comparados com os que
utilizaram placebo (substância inócua).
Apesar de reconhecer que a pesquisa era pequena, Wolfe diz
crer que houve má-fé da empresa. A pesquisa
pode ser acessada no site http://www.worstpills.org.
Em comunicado mundial divulgado ontem, a Pfizer reafirma sua
confiança no remédio. "A Pfizer nega veementemente
que o estudo tenha sido escondido. Ele foi acompanhado por
um painel de especialistas independentes", diz o texto.
A reportagem não conseguiu contatar ontem representantes
da Merck, fabricante do Arcoxia.
FABIANE LEITE
da Folha de S.Paulo
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