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saúde
02/02/2005
ONG pede restrição a remédios

Uma das principais organizações de consumidores dos EUA, a Public Citizen, pediu no último dia 24 de janeiro que a FDA, agência que regula o setor de medicamentos no país, retire imediatamente do mercado os antiinflamatórios Celebra e Bextra, que também são vendidos no Brasil, e não aprove outros dois porque todos aumentariam o risco de ataques cardíacos.

A entidade baseia-se na revisão de 14 estudos randomizados realizados em vários centros para fazer o pedido.

Em setembro foi retirado do mercado mundial o Vioxx, também em razão do aumento de riscos cardiovasculares. Tanto o Bextra quanto o Celebra já estavam sob suspeita após a saída do concorrente.

No pedido, a entidade de consumidores também pressiona pela não aprovação do Arcoxia e do Prexige, em estudo nos EUA. O primeiro, no entanto, já tem a venda autorizada no Brasil.

Todas as drogas fazem parte da classe dos inibidores de COX-2, lançadas sob a promessa de causar menos efeitos gastrointestinais do que os antiinflamatórios tradicionais.

"Todas as cinco drogas aumentam os riscos cardiovasculares", afirmou ontem o médico Sidney Wolfe, diretor da área de pesquisa da entidade.

A FDA deve fazer um encontro para discutir o risco-benefício dos medicamentos que ainda estão no mercado. A Anvisa ainda não tem previsão de quando terminam as discussões nacionais sobre o que fazer com os remédios da classe que restam no mercado.

A Public Citizen foi a entidade que acusou anteontem a Pfizer, fabricante do Celebra e do Bextra, de ter escondido um estudo que demonstrou problemas cardiovasculares em pacientes que utilizaram a primeira droga, quando comparados com os que utilizaram placebo (substância inócua).


Apesar de reconhecer que a pesquisa era pequena, Wolfe diz crer que houve má-fé da empresa. A pesquisa pode ser acessada no site http://www.worstpills.org.

Em comunicado mundial divulgado ontem, a Pfizer reafirma sua confiança no remédio. "A Pfizer nega veementemente que o estudo tenha sido escondido. Ele foi acompanhado por um painel de especialistas independentes", diz o texto.

A reportagem não conseguiu contatar ontem representantes da Merck, fabricante do Arcoxia.

FABIANE LEITE
da Folha de S.Paulo

   
 
 
 

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