Um artigo
publicado no “New York Times” de 7 de março
está alimentando uma animada discussão na internet.
Eis de que se trata. Uma “Charter School” (escola
pública, geralmente experimental, que nasce com fundos
públicos mas a partir de uma iniciativa privada) de
Nova York deve abrir no bairro de Washington Heights em 2009
para tentar responder à pergunta: será que salários
melhores, atraindo professores mais qualificados, podem oferecer
aos alunos uma educação substancialmente melhor?
Será que a chave para melhorar as escolas está
num salário mais generoso para os professores?
A escola oferecerá à seus professores um salário
base de US$ 125 mil por ano (R$ 200 mil) – é
quase o dobro do que ganham, em média, os professores
das escolas públicas de Nova York e duas vezes e meio
o que recebem, em média, os professores da rede pública
no resto dos EUA. A hierarquia tradicional da escola será
também invertida: o diretor ganhará US$ 90 mil
por ano, quase US$ 3.000 por mês, menos do que seus
professores (os quais terão também tarefas administrativas).
O criador e primeiro diretor da escola, Zeke M. Vanderhoek,
acredita que salários mais altos para os professores
são cruciais para oferecer uma educação
de melhor qualidade, muito mais importante do que a variedade
de matérias facultativas ou a riqueza de material de
alta tecnologia. A escola abrirá com apenas sete professores
e 120 estudantes, entre 5º e 8º séries, mas
a proposta é que chegue a uma capacidade plena de 28
professores e 480 alunos. Os jovens serão selecionados
numa loteria orientada para privilegiar crianças com
resultados escolares inferiores à média, de
famílias hispânicas de baixa renda.
Os professores serão selecionados por processo rigoroso:
entrevistas telefônicas e pessoais, provas da performance
e dos resultados de seus estudantes passados, e curriculum:
por exemplo, um resultado de 90% mínimo no GRE (o exame
de admissão à qualquer pós-graduação),
GMAT (mesma coisa para a matemática) e outros testes
similares. O processo de seleção terminará
com três aulas públicas.
O projeto é inovador e prometedor, é um desafio
que ainda deve demostrar sua eficácia. Aumentar o salário
do professor para atrair candidatos mais qualificados é
um dilema que já está presente na maioria das
escolas dos EUA. Discute-se bastante para saber como os professores
deveriam ser selecionados e se laboratórios de informática
ou um número reduzido de alunos por classe são
mesmo menos importantes do que as qualificações
do próprio professor.
Para aumentar os salários, é necessário
cortar outros gastos que normalmente são esperados
numa “boa” escola. Mas, as autoridades da cidade
e do Estado aprovaram o projeto depois que Vanderhoek apresentou
um orçamento detalhado. Ele está reunindo fundos
privados para alugar uma sede permanente no bairro e usará
os fundos da cidade, do Estado e da Federação
para cobrir os outros gastos.
O projeto de Vanderhoek, se tiver sucesso, produzirá
um impacto considerável sobre o sistema educativo dos
EUA, e não só dos EUA. Ele poderia ser adotado,
num efeito bola de neve, por outras escolas públicas,
mudando radicalmente a idéia do que é necessário
para oferecer uma educação de qualidade e de
resultados.
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