REFLEXÃO

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RADAR DO MUNDO
23/07/2007

Em meio aos Jogos Pan-Americanos, projeto une educação ao esporte

  Juliana Kalil Gragnani

Em época de Jogos Pan-Americanos e no auge das discussões a respeito do investimento em segurança e em infra-estrutura e da organização da competição, muito se tem debatido sobre os benefícios que o país pode receber. Embora de modo tardio, o Brasil parece ter finalmente se elevado ao investir em ações que envolvem esporte e desenvolvimento para a população. Esta tem tirado enorme proveito de programas como o “Guias Cívicos”, cujo objetivo é preparar jovens em situação de risco para se comprometerem com o Pan Rio 2007.

O Guias Cívicos faz parte do projeto Segurança Cidadã, iniciativa do Ministério da Justiça, além de ser apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Nas mais de cem comunidades participantes, os alunos recebem aulas de professores especializados em turismo, trânsito, cidadania, ética, espanhol e inglês durante quatro horas por dia. Conhecem espaços públicos da cidade, pontos turísticos e equipamentos do Pan, para serem capacitados a participar voluntariamente da organização do evento, oferecendo orientações em áreas de grande circulação do Rio de Janeiro. Em contrapartida, os jovens recebem uniforme, transporte, lanche e seguro de vida, além de uma quantia de 175 reais.

As aulas são administradas pela unidade SESI (Serviço Social da Indústria), onde há participação estimada de 10 mil jovens de 14 a 24 anos, moradores de mais de cem comunidades cariocas. O projeto abre caminhos para os guias que, motivados, buscam qualificar-se para o mercado de trabalho. O Guias Cívicos é eficaz porque jovens de áreas consideradas carentes provam-se úteis e fundamentais a qualquer ação na cidade, manifestando sua importância na sociedade. O ministro Orlando Silva reforça essa idéia, “Os Guias Cívicos farão parte da geração que ajudou a construir o Rio 2007 e os valores do esporte servirão para construir uma vida diferente para todos, com inclusão social”, declarou o ministro do Esporte ao site oficial dos Jogos Pan-Americanos.

Fora do Brasil, o aproveitamento do esporte para fins sociais não é recente. Na Europa, por exemplo, os objetivos por trás de práticas esportivas, há tempos, não são apenas profissionalizantes. Parcerias que envolvem esporte e educação com o intuito de promover inclusão social têm se provado eficazes. O projeto alemão “Streetfootballworld” ilustra perfeitamente um cenário em que se observa a eficiência da fórmula.

O programa trabalha com a troca de experiências e conhecimento entre organizações não-governamentais, a respeito da educação no esporte. Os idealizadores do projeto acreditam que iniciativas sociais aumentam oportunidades de indivíduos e consolidam a chance de haver mudança social em âmbito global. O Streetfootballworld coordena mais de 80 organizações que usam o potencial social do futebol para a prevenção da violência, a melhoria da saúde, a integração social e a educação, como é o caso da Street League, ONG de Londres.

Direcionado a sem-teto e a pessoas com problemas de drogas, o programa beneficente procura usar o interesse pelo esporte para encorajá-los a pensar no futuro, de modo que rotas para a educação, procura de emprego e independência sejam traçadas. O futebol é a modalidade mais focada pelo Street League, que oferece competições mensais e treinamentos esportivos, nos quais há técnicos qualificados. Além de conciliar o esporte com a inclusão social, o diferencial do programa é a capacidade de despertar interesse e oferecer oportunidades a pessoas que normalmente não as teriam.

Valores como disciplina, persistência, senso de justiça e capacidade de superação estão entre os aprendizados obtidos através do esporte, estimulando o alcance do sucesso. Espelhando-se em exemplos europeus, é possível afirmar que projetos que envolvam a parceria esporte-educação auxiliam na integração do jovem à sociedade. Assim, se houver continuidade das iniciativas criadas paralelamente aos Jogos Pan-Americanos, o Brasil caminhará para a criação de referências positivas, em falta no país.
Juliana Kalil Gragnani, aluna do 2º ano do ensino médio, do Colégio Bandeirantes - jujukg@gmail.com

   
Apresentação

O Radar do Mundo é produzido pelo projeto Idade Mídia do ensino médio do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, desenvolvido pelos jornalistas Alexandre Sayad e Gilberto Dimenstein, que mistura o mundo da educação ao da comunicação (a chamada educomunicação). Em uma sociedade em que a informação está presente na vida dos jovens durante o todo o tempo, a educação tem a necessidade de acompanhar essas novas demandas.

 
 
 

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