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Escola
dá lição de absurdo
Exceto,
talvez, por alguns poucos familiares, ninguém vai se
lembrar de que, na próxima semana, se completam 84
anos da morte do paulista Rodrigues Alves. Eleito presidente
da República pela segunda vez em 1918, não tomaria
posse, vítima da gripe espanhola.
Ele vive
até hoje na forma de um dos mais visíveis e
nunca comentados absurdos da cidade de São Paulo. Isso
porque empresta seu nome à única escola pública
da avenida Paulista, imóvel que, obra do arquiteto
Ramos de Azevedo, está tombado, mas tem a fachada extremamente
suja, pichada de alto a baixo. Na parte interna, há
vazamentos, rachaduras, infiltrações.
Há
uma grande ironia em tudo isso, pois, preocupado com as doenças
que se espalhavam pelo Brasil, o presidente Rodrigues Alves
lançou na época campanha para limpar as cidades,
especialmente no Distrito Federal, então no Rio, e,
em menor escala, em São Paulo, e para ensinar às
famílias medidas de higiene.
Imaginava transformar o epidêmico Rio, com as pestilências
trazidas pelo porto e propagadas nos cortiços, numa
espécie de réplica de metrópole européia.
Mas a
ironia não pára por aí. A escola é
literalmente grudada ao Instituto Cultural Itaú, principal
centro brasileiro de arte digital, conectado com o que existe
de mais contemporâneo em tecnologias aplicadas ao aprendizado;
a poucos passos dali, trabalha a cúpula do Sesc, maior
patrocinador de eventos artísticos da cidade de São
Paulo, responsável pela restauração de
prédios abandonados, com um amplo programa de cultura
aplicada à educação.
Ao lado
do Sesc, localiza-se a Casa das Rosas, ligada à Secretaria
Estadual da Cultura, responsável pela preservação
do patrimônio histórico estadual. Até
o ano passado, no lado oposto da avenida, estava a Secretaria
Municipal da Cultura. No meio, a Fiesp, onde está o
Sesi, voltado à educação. Em toda a avenida,
há empresas, especialmente bancos, com institutos e
fundações que patrocinam projetos de melhoria
da educação pública.
Tirando
o fato de alguns voluntários do Banco Real ajudarem
a desenvolver, na Rodrigues Alves, programas curriculares,
a única escola pública da Paulista ficou tão
esquecida quanto o presidente que lhe deu o nome. Ele próprio
morreu ironicamente em 16 de janeiro de 1919: tanto brigou
contra as epidemias, mas foi vítima de uma delas.
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