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Confira a cronologia da crise

  • 02/03/01: A beira de um golpe de mercado, e sem encontrar saída à recessão de 33 meses, renuncia o ministro da Economia José Luis Machinea. Confirma-se oficialmente no dia seguinte.

  • 04/03/01: O ministro da defesa, López Murphy, é designado novo ministro da economia.

  • 05/03/01: Assume López Murphy com apoio de empresários, investidores e dos bancos internacionais. A Bolsa sobe 8,1% e cai o risco país. Domingo Cavallo é tentado para substituir o questionado Pedro Pou à frente do Banco Central.

  • 08/03/01: López Murphy designa em sua equipe os liberais ortodoxos economistas da Fiel (Fundação de Pesquisas Econômicas Latino-americanas, que integra), reconhecidos ‘fanáticos do equilíbrio fiscal‘. Tensões no seio da governista Aliança, à espera de definição do novo gabinete de De la Rúa.

  • 11/03/01: López Murphy adverte que Argentina ‘deve corrigir o desvio‘ na área fiscal. Depois da alta da Bolsa do primeiro dia, os mercados iniciam um caminho descendente e volta a crescer o risco país pela indefinição do programa econômico.

  • 12/03/01: Cavallo pleiteia ligar o peso a uma cesta de moedas, embora para o futuro. López Murphy anuncia novo esforço fiscal.

  • 13/03/01: Chega missão do FMI à Argentina, encabeçada pelo chileno Tomás Raichmann.

  • 14/03/01: Raichmann adverte que a Argentina necessita de "um golpe de timão" e que "o mundo espera que cumpra com a lei de responsabilidade fiscal". Rumores de renúncia de López Murphy são desmentidos pelo próprio De la Rúa.

  • 16/03/01: CGT "dissidente" convoca "greve ativa" de 36 horas contra o novo pacote previsto para 5 e 6 de abril em coincidência com reunião de ministros da economia do continente para avançar na constituição da Alca.

  • 16/03/01: à noite, López Murphy anuncia um ajuste draconiano de US$ 4,5 bilhões em dois anos, que afeta o setor educacional e reduz subsídios a províncias patagônicas (sul) e a produtores de tabaco (norte).
    Renunciam os ministros do interior, Federico Storani, da educação, Hugo Juri, ambos do radicalismo, partido do presidente, e os do Frepaso (centro-esquerda, integrante da Aliança). O bloco parlamentar do Ação pela República (AR, centro-direita), partido de Cavallo, manifesta apoio crítico a medidas econômicas.
    O principal sindicato docente Ctera anuncia greve de 48 horas para esta terça-feira e quarta seguintes. Estudantes começam mobilizações e tomadas de universidades.

  • 17/03/01: López Murphy reclama "apoio político" para que os mercados reajam positivamente quando se reabrirem segunda-feira seguinte.
    Setor "dissidente" da CGT anuncia "greve nacional ativa" com bloqueios de estrada para quarta-feira. Adere a combativa Central de Trabalhadores Argentinos (CTA).

  • 18/03/01: López Murphy busca "apoio na opinião pública" e de la Rúa tenta levar Cavallo ao governo. Cavallo regressa urgentemente à Argentina do Chile onde participava da assembléia anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e à noite admite que ingressará no governo. Se diz que seria chefe de gabinete. De la Rúa apela para um "grande acordo de unidade nacional" e pede "poderes especiais" ao Parlamento.

  • 19/03/01: De la Rúa se apresenta ante o BID no Chile, ratifica a conversibilidade e nega renúncia de López Murphy que o acompanha. Ex- vice-presidente Carlos Alvarez, titular do Frepaso, condiciona apoio a ajuste com menor custo social. Começam bloqueios de ruas e estradas na capital e na grande Buenos Aires. Multiplicam-se tomadas de universidades e escolas públicas. Partidos condicionam apoio ao governo de unidade nacional e ingresso de Cavallo.

  • 20/03/01: Depois de várias horas de reuniões, às 01H30 locais De la Rúa confirma renúncia de López Murphy e anuncia que Cavallo é o ‘novo condutor da economia do país‘, embora sem precisar se será como ministro da economia ou chefe de Gabinete. Horas depois se confirma que é o novo ministro da economia.

  • 21/03/01: Cavallo anuncia pacote que prevê um imposto sobre transações financeiras semelhante à CPMF brasileira. O ministro sugere também a adoção, futuramente, da paridade do peso argentino com uma cesta de moedas com o dólar e o euro.

  • 25/04/01: O presidente do Banco Central argentino, Pedro Pou, que vinha discutindo com Cavallo, é destituído e substituído por Roque Maccarone, homem de confiança do atual ministro.

  • 24/05/01: O governo conclui a megatroca da dívida pública cuja oferta superou a previsão do governo. A troca somou US$ 33,3 bilhões e incluiu quatro novos títulos no mercado: os Globais 2008 cotado em peso e em dólar; 2018 cotado em dólar e o 2031 em dólar. Também foi lançado o Bônus Pagaré com maturidade em 2006.

  • 15/06/01: Cavallo lança pacote de estímulo ao comércio exterior onde cria um câmbio duplo para o peso em relação ao dólar baseado na cotação do euro. De acordo com o plano, as exportações ficaram cerca de 8% mais baratas, enquanto os custos de importação sed elevaram na mesma proporção. A medida também redução da TEC (Tarifa Externa Comum) para importação de bens de consumo dos atuais 35% para 27%, medida que fere regras do Mercosul.

  • 29/06/01: Rumores de reúncia de Cavallo elevam o risco-país da Argentina a 1.025 pontos-base, 16 pontos acima do fechamento do dia anterior.

  • 02/07/01: Rumores de renúncia do presidente Fernando de la Rúa elevam novamente o risco-país da Argentina, que desta vez atinge os 1.079 pontos-base.

  • 04/07/01: Índice de imagem positiva de De la Rúa cai a 19,5%, nível mais baixo desde a sua posse, em dezembro de 1999.

  • 09/07/01: O ministro Cavallo retorna da Europa e anuncia mudanças na previdência argentina, notícia que provoca a renúncia do presidente de Anses (Administração Nacional de Previdência Social), Rodolfo Campero.

  • 01/08/01: Novos rumores de Cavallo poderia se afastar do cargo faz o risco-país bater novo recorde. A taxa fechou o dia a 1.688 pontos básicos, um dos mais elevados do mundo.

  • 21/08/01: O FMI (Fundo Monetário Internacional) libera ajuda adicional de US$ 8 bilhões, dos quais US$ 5 bilhões erão destinados à recomposição das reservas internacionais do país.

  • 22/08/01: A taxa de risco-país recua mais de 200 pontos estimulada pela ajuda adicional do FMI. O risco fechou em 1.450 pontos básicos, 201 pontos abaixo da taxa do dia anterior.

  • 28/08/01: O Bird (Banco Mundial) aprova crédito de US$ 400 milhões ao país.

  • 29/08/01: O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) libera empréstimo de US$ 500 milhões destinado à implementação de "reformas fiscais" nas Províncias.

  • 17/09/01: O risco-país argentino volta a disparar, fechando em 1.652 pontos básicos. A expectativa piora do desaquecimento mundial depois dos atentados terroristas de 11 de setembro ampliam o temor sobre o mercado argentino.

  • 05/10/01: A taxa do risco-país bate recorde pela primeira vez, atingindo os 1.924 pontos básicos e superando o da Nigéria.

  • 14/10/01: Eleições legislativas. O resultado foi uma derrota para o governo. O partido Justicialista (de oposição) ficou com 62 vagas da Câmara de Deputados, contra 35 da Aliança governista (Frepaso e UCR). No Senado, os justicialista conquistaram 40 cadeiras e a Aliança, 27.

  • 29/10/01: O governo anuncia mudanças em seu Gabinete de ministros. Cria novos setores e funde áreas com o objetivo de reduzir os gastos.

  • 30/10/01: O risco-país argentino volta a registrar fortes altas e começa a bater recordes consecutivos. Nesse dia, a taxa fechou em 2.003 pontos básicos, depois de atingir a máxima de 2.013 pontos.

  • 01/11/01: O governo argentino anuncia um novo pacote economômico, com pontos que destacam a área social e reduzem os impostos. É apresentado também um plano de reestruturação da dívida.

  • 02/11/01: O pacote não é bem aceito pelo mercado, principalmente pelas condições que o governo pretende renegociar a dívida. O risco-país volta a bater outro recorde e atinge os 2.501 pontos básicos, o maior desde 1995, quando a Argentina sofreu forte influência da crise mexicana.

  • 05/11/01: Cavallo anuncia o início da troca do títulos da dívida interna. O governo oferece empréstimos garantidos pela arrecadação tributária em troca dos atuais títulos.

  • 16/11/01: Cavallo diz que a economia argentina já está dolarizada. "Já temos uma dolarização, pois já existe um grande volume de dólares circulando. A diferença é que, além disso, temos a opção de usar outras moedas".

  • 01/12/01: Cavallo lança mais um pacote econômico (o 9º do governo De la Rúa) para conter a onda de saques em bancos que assola o país. As medidas são uma dolarização parcial do sistema financeiro.

  • 05/12/01: FMI nega a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhão à Argentina; apesar de promover os cortes nos gastos, o país não cumpriu a meta de déficit zero devido à queda na arrecadação.

  • 07/12/01: Cavallo vai a Washington tentar reverter a decisão do FMI de suspender o pagamento da parcela de US$ 1,26 bilhão, prevista para chegar em dezembro.

  • 19/12/01: Argentina consegue pagar os vencimentos e evitar o calote; crise social avança com saques e confrontos com a polícia na região de Buenos Aires e quatro pessoas são mortas. O governo argentino decretou estado de sítio para conter a onda de saques e a violência. Quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. No Congresso, os deputados retiraram os superpoderes do ministro da Economia, Domingo Cavallo. Agora, todas as medidas econômicas e fiscal propostas pelo governo serão aprovadas pelo Congresso.

  • 20/12/01: O superministro Domingo Cavallo e todo o gabinete ministerial pedem demissão ao presidente Fernando de la Rúa.

  • 20/12/01: Sem conseguir apoio da oposição, o presidente Fernando de la Rúa entrega sua carta de demissão.

  • 21/12/01: O Congresso convoca Assembléia conjunta (deputados e senadores) para aceitar a demissão de De la Rúa. O pedido é aceito.

  • 21/12/01: O presidente do Senado, Ramón Puerta, assume interinamente a Presidência até que o Congresso decida o futuro do país. As opções são convocar eleições diretas em 90 dias ou eleger indiretamente um substituto que terminaria o mandato de De la Rúa, em 2003.

  • 22/12/01: Os peronistas escolhem o governador de San Luis, Adolfo Rodríguez Saá, novo presidente da Argentina e decidem convocar eleições diretas para 3 de março.

  • 23/12/01: O novo presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá, assume e declara unilateralmente a moratória da dívida. Anuncia também a criação de uma nova moeda para injetar liquidez na economia. Reduz o gabinete para apenas três ministérios e coloca os demais, como Economia, com status de secretaria de Estado.

  • 30/12/01: Abalado pelos novos protestos da população e pela falta de apoio dos colegas governadores peronistas, o presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá, renunciou ao cargo e devolveu o poder para o presidente provisório do Senado, Ramón Puerta, que também desiste do cargo, passando-o para o presidente da Câmara, deputado Eduardo Camaño.

  • 01/01/02: Após uma série de entendimentos políticos liderados pelo Partido Justicialista (peronista), mesmo diante de grandes divergências internas, o senador Eduardo Duhalde é escolhido pela Assembléia Legislativa (sessão conjunta do Senado e Câmara argentinos) como novo presidente do país. Ele deve governar até dezembro de 2003.

  • 06/01/02: A Câmara dos Deputados argentina aprova na madrugada do domingo a “Lei de Emergência Pública e de Reforma do Regime Cambial”, reunindo as medidas do novo pacote econômico do governo Eduardo Duhalde, que acaba com o regime cambial de conversibilidade entre peso e dólar. Logo após, na noite do domingo, foi a vez do Senado aprovar o projeto. Assim, o governo já anunciou que o dólar vale agora, pelo câmbio oficial, 1,40 peso.

  • 11/01/02: O presidente Eduardo Duhalde enfrenta o primeiro panelaço de sua gestão.

  • 14/01/02: O presidente Eduardo Duhalde vai à TV, junto com líderes da Igreja Católica, e pede união nacional em torno das novas medidas econômicas.

  • 15/01/02: O BC argentino faz sua primeira intervenção no sistema de câmbio duplo.

  • 17/01/02: O presidente do BC Roque Maccarone pede demissão. Em seu lugar, assume o vice Mario Blejer, ex-funcionário do FMI. O Senado aprova um programa de socorro aos bancos, nos moldes do Proer brasileiro.

  • 01/02/02: A Corte Suprema considera inconstitucional o corralito;

  • 03/02/02: O presidente Eduardo Duhalde baixa um decreto proibindo por seis meses ações na Justiça contra o corralito; o ministro Jorge Remes Lenicov anuncia o fim do câmbio duplo e a pesificação das dívidas (na proporção de US$ 1 por peso) e dos depósitos (US$ 1 por 1,40 peso); acabou também com as restrições para saques das contas-salário.

  • 11/02/02: Após uma semana de feriado cambial, começa a vigorar o sistema de câmbio livre na Argentina. O ministro Jorge Remes Lenicov vai aos Estados Unidos negociar um novo programa de socorro do FMI;

  • 19/02/02: O BC argentino emite 1,5 milhão de pesos, que são repassados aos bancos. Analistas temem que essa a impressão de moeda pressione a inflação.

  • 20/02/02: Eduardo Duhalde enfrenta a primeira manifestação popular desde que assumiu o governo.

  • 20/02/02: O Banco Central da Argentina empresta 1,7 bilhão de pesos (US$ 840 milhões) ao Banco de la Nación para "salvar" a maior instituição financeira do país.

  • 25/02/02: Começa a vigorar a flexibilização do "corralito". Os argentinos passam a usar seus depósitos para comprar imóveis, automóveis novos e máquinas.

  • 26/02/02: Buenos Aires vive um dia de caos com manifestações populares.

  • 28/02/02: O governo firma novo pacto fiscal com as Províncias, cujo principal ponto é a eliminação do repasse de 1,36 bilhão de pesos em impostos arrecadados pelo governo para as Províncias.

  • 01/03/02: O Congresso argentino aprova o Orçamento de 2002 após 12 horas de debate. O novo Orçamento prevê um déficit de 3 bilhões de pesos (US$ 1,5 bilhão) e 42 bilhões de pesos de gasto anual, com queda de 4,5% do Produto Interno Bruto e inflação anual de 15%.

  • 05/02/02: O Senado argentino aprova o Orçamento para 2002 sem realizar alterações na proposta ratificada pela Câmara dos Deputados.

    06/03/02: Uma missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) liderada pelo indiano Anoop Singh, chega ao país para avaliar as contas públicas e o programa econômico.

  • 08/03/02: O Banco Mundial anuncia um empréstimo de emergência no valor de US$ 100 milhões para apoiar programas sociais.

  • 11/02/02: Pela primeira vez em sete anos, o peso se igualou ao real, ambos a 2,35 por dólar.

  • 12/02/02: O peso fecha valendo menos que o real, cotada a 2,48 pesos. o real brasileiro terminou a R$ 2,331 por dólar.

  • 13/02/02: O Banco Central da Argentina fracassou na sua primeira tentativa de vender títulos no mercado. Da oferta total de 109 milhões de pesos em títulos, foram vendidos apenas 39 milhões de pesos. Mesmo assim, o BC aceitou pagar taxas de juros de até 35% ao ano.

  • 15/03/02: Nova onda de protestos em Buenos Aires.

  • 25/03/02: Cotação do dólar bate 3,90 pesos mesmo após determinação do Banco Central de reduzir o horário de funcionamento das casas de câmbio e determinar um limite de US$ 1.000 por pessoa para a compra da moeda.

  • 26/03/02: A Argentina não paga obrigações de um bônus Samurai de cinco anos que vencem em setembro de 2005. O pagamento estimado do cupom era de 1,49 bilhão de ienes (US$ 11,2 milhões).

  • 28/03/02: A Fitch rebaixa o rating de 11 empresas argentinas por conta da desvalorização do peso.

  • 28/03/02: Nova onda de saques deixa 30 presos e sete feridos na grande Buenos Aires.

  • 28/03/02: O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)coloca à disposição do governo desse país US$ 694 milhões, redirecionando empréstimos vigentes para apoiar redes de segurança social.

  • 03/04/02: O ex-ministro da Economia Domingo Cavallo é preso por suposto contrabando de armas.

  • 11/04/02: O governo congela por tempo ainda indeterminado todas as tarifas de serviços essenciais, como água, luz e telefone, declarando guerra às empresas privatizadas.

  • 18/04/02: O economista Juan Carlos Pezoa assume o cargo de secretário da Fazenda, substituindo Oscar Lamberto, que volta a ocupar sua cadeira no Senado.

  • 19/04/02: O Banco Central da Argentina decreta feriado bancário e cambial por termpo indeterminado.

  • 23/04/02: O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, renuncia ao cargo depois que o Congresso atrasa a votação do "Plano Bonex", que pretendia transformar os depósitos bloqueados pelo "corralito" em títulos do Tesouro. Em seguida, pedem demissão também o ministro da Produção, José de Mendiguren, e o chefe da Casa Civil, Jorge Capitanich.

     
  •  EFEITO TANGO

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