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Interesse pelos fundos será grande ISABEL CAMPOS da Folha de S.Paulo Devo ou não aplicar meu FGTS em um fundo com ações ordinárias da Petrobras? Essa era uma das principais dúvidas dos trabalhadores que procuram as agências bancárias para solicitar informações sobre a operação de venda de Petrobras ON (ordinárias), iniciada pelo governo federal no início do mês. Até o dia 14, a CEF (Caixa Econômica Federal) já havia recebido 27 mil adesões, totalizando cerca de R$ 100 milhões. A maioria das demais instituições financeiras que estão participando da operação ainda não tinha números fechados, mas estava bem otimista com a quantidade de consultas. "Não temos um balanço das adesões, mas tivemos muito mais consultas do que o habitual, sendo 80% delas para pedir informações sobre a operação", diz Rafael Parga, gerente de renda variável do InvestShop.com, site que está comercializando sete FMPs-FGTS (Fundos Mútuos de Privatização-FGTS). No banco Sul América, as consultas também foram numerosas. "Acho que as pessoas vão deixar para fazer a adesão nos últimos dias. Vai ser uma correria", diz Armando Carlos Bruck, responsável pela estruturação de operações da instituição.
Renda variável O gerente Virgílio José Ribeiro, 48, que trabalha com organizações e processos, não tem dúvida de que é um bom negócio investir o FGTS em ações da Petrobras. "É uma empresa de respeitabilidade internacional e com boas perspectivas de lucro. Além disso, acho que não vou precisar do dinheiro nos próximos anos." Ribeiro vai aplicar 50% do seu FGTS em um FMP. Na opinião de todos os analistas consultados pela Folha, quem quer entrar nessa operação deve estar consciente de que a aplicação é de longo prazo e que as perspectivas de rentabilidade para o papel, embora sejam positivas, podem não se concretizar. A aquisição de Petrobras não é recomendada para quem está para se aposentar, tem receio de ser demitido, pretende comprar uma casa ou não suporta os altos e baixos do mercado acionário. Jorge Kotani, analista de investimentos da Lafis Serviços Financeiros, acha que a Petrobras ON dificilmente vai render menos do que o FGTS nos próximos anos, mas não recomenda o investimento para quem nunca atuou na Bolsa. "É uma aplicação de renda variável. Tudo pode acontecer. Esse mercado, às vezes, assusta a gente, que é do ramo. Imagine o que pode acontecer com uma pessoa que não está acostumada", comenta. Segundo Kotani, como a Petrobras se tornou a principal empresa negociada na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), suas ações vão ficar muito suscetíveis a todo tipo de boato ou fatos econômicos e políticos, nacionais e internacionais. Isso, em alguns momentos, poderá ser muito positivo, mas, em outros, negativo. Na semana passada, outra dúvida dos trabalhadores era em relação às cotações de Petrobras ON, que, na Bovespa, estavam caindo e se aproximando do preço máximo de compra estipulado pelo governo, de R$ 46,40. Na sexta-feira, a cotação fechou em R$ 48,81, com queda, na semana, de 5,77%. De acordo com Bruck, do Sul América, quanto mais o preço cair agora, melhor será para o investidor com FGTS. Isso porque o preço final da operação será uma média ponderada das propostas que o governo irá receber de pessoas físicas e de investidores institucionais e estrangeiros. "A maioria das propostas vai se basear no preço de Bolsa. Se este estiver baixo, o valor delas será baixo. Ninguém vai querer pagar muito acima do mercado", explica. E, quanto mais baixo o valor, maiores as chances de ganho. Segundo José Carlos Chedeak, analista da AQM - Análise Qualitativa de Mercado, com base nos resultados da empresa, o preço justo de Petrobras ON seria, hoje, R$ 53,35. Para daqui um ano, o preço justo seria R$ 68,51. “Acho quase impossível dar errado o investimento do FGTS nessa ação. No ano passado, a companhia teve um lucro de R$ 1,7 bilhão. Para este ano, a estimativa é que chegue a R$ 7,5 bilhões”, diz Chedeak.
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