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Dinheiro
21/09/2005 - 09h54

Desemprego cai e renda sobe em São Paulo, diz Seade/Dieese

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FABIANA FUTEMA
da Folha Online

Após quatro meses de estabilidade, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo caiu de 17,5% para 17,1% da PEA (População Economicamente Ativa) em agosto. A taxa, que estava em 17,5% desde abril, voltou em agosto para o mesmo patamar de fevereiro. Ou seja, foi a segunda menor taxa de desemprego do ano, perdendo apenas para janeiro, que era 16,7%.

Esse comportamento pode ser explicado pela saída de 21 mil pessoas do mercado de trabalho combinada com a criação de 23 mil empregos no mês passado. Com esse movimento, 44 mil pessoas deixaram de integrar o contingente de desempregados, estimado em 1,721 milhão na região metropolitana de São Paulo.

O diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, disse que a queda foi acompanhada por outros fatores positivos, como aumento da contratação com carteira assinada e recuperação da renda. "A contratação com carteira assinada é um dos fatores que está ajudando na recuperação da renda."

Em julho, pelo segundo mês consecutivo, a renda média do trabalhador subiu 1,7% em relação a junho, passando de R$ 1.038 para R$ 1.057. Os dados de renda têm um mês de defasagem em relação aos de emprego --os pesquisadores perguntam aos entrevistados quanto receberam no mês anterior.

Além disso, a massa de rendimentos --a soma dos salários de todos os trabalhadores-- conseguiu superar em julho, pela primeira vez, o patamar alcançado em 2002 (2,5%). Em relação a julho de 2003, a alta foi de 10,1%. Entretanto, a massa de rendimentos ainda é 6,5% menor que aquela verificada em julho de 2001.

Segundo o coordenador de pesquisas do Seade, Alexandre Loloian, essa recuperação da massa de rendimentos reflete o aumento do nível de ocupação combinada à recuperação da renda média. "O crescimento da ocupação ainda é maior que o avanço do rendimento. Mas já começa a acontecer uma recuperação do rendimento."

Os técnicos do Seade-Dieese estimam que haverá continuidade desse movimento de queda do desemprego e recuperação da renda nos próximos meses. "Continuaremos a ter geração de emprego em patamares superiores à entrada de pessoas no mercado de trabalho", disse Lúcio.

Com isso, segundo ele, o desemprego da região metropolitana de São Paulo em dezembro deste ano será menor a taxa de 17,1,% registrada em igual mês de 2004. "Teremos diminuição do desemprego. Não será na mesma intensidade [da queda] verificada em 2004, mas haverá queda", afirmou Lúcio.

Ocupação

Em agosto, o nível de ocupação na região metropolitana de São Paulo registrou uma variação de 0,3% frente a julho. O chamado outros setores --que inclui construção civil e serviços domésticos-- foi o que mais abriu vagas no mês passado: 11 mil.

Loloian disse que esse movimento foi puxado, principalmente, pelas contratações na construção civil. "O setor está se beneficiando de uma série de medidas positivas, como a MP do Bem, ampliação do crédito e alteração da lei da garagens."

A indústria, especialmente a metal-mecânica, criou 4.000 postos de trabalho. O setor de serviços fechou os mesmos 4.000. No comércio foram abertas 12 mil vagas.

O nível de ocupação nos últimos 12 meses cresceu 1,8%, com a geração de 149 mil empregos. Desse total, 129 mil foram criados no setor de serviços. Outros 29 mil foram abertos na indústria. Nos outros setores houve a criação de 9.000 vagas. No comércio, entretanto, foram fechados 18 mil postos de trabalho.

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