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Dinheiro
18/12/2005 - 09h56

Protestos marcam último dia da reunião da OMC em Hong Kong

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da Folha Online

Manifestantes contra a OMC voltaram neste domingo às ruas de Hong Kong, onde acontece a sexta conferência ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio), para marcar o último dia do evento com protestos, mas menos violentos que os ocorridos neste sábado.

Os ativistas gritavam "Afundem a OMC" enquanto alguns manifestantes filipinos queimavam um boneco representando os EUA e a organização. Fazendeiros sul-coreanos, que estiveram na linha de frente de diversos conflitos com a polícia de Hong Kong nesta semana de negociações da organização, desta vez apenas carregavam cartazes, que diziam: "Governo de Hong Kong, liberte nossos camaradas".

A mensagem se referia às cerca de 900 detenções feitas ontem pela polícia, quando houve choque entre policiais e manifestantes que tentaram invadir o local do encontro dos ministros da OMC. Manifestantes atacaram os policiais com varas de bambu e tentaram furar o bloqueio policial usando as próprias grades que fechavam o acesso ao local. Muitos dos presos são agricultores sul-coreanos. A polícia respondeu com jatos de água e spray de pimenta. A multidão de desfez e, segundo contagem da polícia, 135 pessoas --incluindo 61 policiais-- ficaram feridos.

Segundo os organizadores da manifestação, havia 7.000 ativistas nas ruas hoje. A polícia, no entanto, calcula em 5.000 o número de participantes da manifestação de hoje.

Os agricultores sul-coreanos disseram que fariam um protesto pacífico, permanecendo perto do local da reunião até que os que foram presos sejam libertados. "Sem eles, não voltaremos para casa", disse o líder da Liga Sul-Coreana de Camponeses Lee Soo-geun.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Lee Kyu-hyung, disse que irá a Hong Kong nesta segunda-feira para negociar com o governo local. Segundo Kyu-hyung, 600 camponeses sul-coreanos teriam sido presos.

Ativistas acusaram a polícia de ter exigido que os presos tirassem a roupa para serem revistados e de espancar os que se recusaram. O porta-voz da polícia, Alfred Ma, disse, no entanto, que os detidos receberam tratamento "humano".

O chefe do Executivo de Hong Kong, Donald Tsang, disse que os protestos de ontem foram "inaceitáveis" e acusou os ativistas de terem paralisado o trânsito e de atacar as forças de segurança. Ele defendeu ainda o uso, pela polícia, de jatos de água e de spray de pimenta para desfazer as manifestações e prometeu que irá abrir processo contra os envolvidos nas próximas 48 horas.

"Acho que se pode ver que nossa polícia usou de força mínima em resposta à violência e mesmo aos ataques a nossos policiais", disse Tsang.

Manifestantes fizeram um protesto ontem, sentando-se em uma das ruas mais movimentadas de Hong Kong, bloqueando o trânsito. A polícia começou a prendê-los na manhã deste domingo (noite de sábado no Brasil) e levou horas para carregá-los todos para dentro de vários ônibus.

Violência em larga escala é um fenômeno raro em Hong Kong, grande centro financeiro asiático. Em 1967 houve uma série de manifestações contra o domínio britânico --Hong Kong foi devolvida à China em 1997.

Com agências internacionais
 

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