Dinheiro
05/01/2006 - 08h31

IGP-DI aponta inflação de 1,22% em 2005, a menor da história

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JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio de Janeiro

A valorização do real frente ao dólar levou o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) a encerrar o ano de 2005 com uma inflação acumulada de 1,22%. O resultado é o menor já verificado na história do indicador, que começou a ser calculado em 1944. A marca anterior era de 1998, quando o indicador havia acumulado uma taxa de 1,70%.

A taxa acumulada ficou levemente acima das previsões do mercado. Segundo o último relatório promovido pelo Banco Central junto a instituições financeiras, a previsão para a inflação no ano era de alta de 1,16%. A diferença entre as expectativas e o resultado pode ser explicada pelo número de dezembro. Analistas estimavam que o índice ficaria estável, mas houve alta de 0,07%.

O resultado no ano deve contribuir para segurar a inflação de 2006 apesar das mudanças na indexação dos contratos de telefonia. Em 2006, o reajuste será misto: terá como base seis meses indexados pelo IGP-DI e outros seis meses pelo IST (Índice de Serviços de Telecomunicações), composto por uma cesta de indicadores em que predomina o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A partir do próximo ano, o reajuste será feito com base somente no IST.

Tradicionalmente, os preços administrados contribuem para puxar a inflação para cima. Em 2006, no entanto, a perspectiva é atípica. A valorização do real foi o fator decisivo para que os preços no atacado, responsáveis por 60% da composição dos índices de preços calculados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), perdessem fôlego. Dessa forma, os índices que reajustam tarifas públicas, como eletricidade e telefonia, e contratos de aluguéis ou de televisão a cabo encerraram o ano de 2005 abaixo das previsões mais otimistas. Para o consumidor, a medida deve se traduzir em reajustes mais suaves.

Mesmo sem maiores pressões adicionais previstas, este cenário de inflação abaixo de 2% em 12 meses não deve se repetir em 2006. Analistas apostam que o índice deve encerrar o ano com alta de 4,53%.

No ano passado, o IPA (Índice de Preços no Atacado) acumulou uma queda de 0,97%. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou alta de 4,93%, influenciado pelo desempenho do grupo transportes, que subiu 9,23% com o aumento dos combustíveis. Os custos da construção civil fecharam o ano com alta de 6,84%.

Dezembro

Em dezembro, atacado e varejo mostraram desaceleração. O primeiro voltou a registrar deflação, com uma queda de 0,14%, motivada pelo recuo nos preços de insumos industriais, como combustíveis e lubrificantes para a produção, e de matérias-primas brutas, como bovinos, café em coco e tomate.

Os preços ao consumidor passaram de 0,57% em novembro para 0,46% em dezembro. A principal contribuição para a perda de fôlego da inflação no varejo veio do grupo alimentação, com destaque para os itens hortaliças e legumes (13,79% para 5,47%) e frutas (4,15% para 1,55%). A desaceleração só não foi maior em razão do comportamento dos grupos educação, leitura e recreação e transportes.

O núcleo da inflação ao consumidor, que exclui os elementos mais voláteis, registrou alta de 0,36% em dezembro e de 5,07% no ano.

Os custos na construção civil passaram de 0,28% em novembro para 0,37% em dezembro. Os itens serviços e mão-de-obra foram os responsáveis pela aceleração, com o reajuste salarial em Belo Horizonte.

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