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Dinheiro
18/01/2006 - 15h30

Brasil e Argentina decidem aprofundar integração em reuniões semestrais

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PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília

Os governos brasileiro e argentino decidiram criar um mecanismo de consulta permanente para melhorar a integração entre os dois países, segundo informou hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após reunião de aproximadamente duas horas com o presidente argentino, Néstor Kirchner.

"O êxito de nossa parceria requer consultas cada vez mais estreitas. Não basta assinar acordos, é preciso garantir que eles sejam postos em prática. Por esta razão, decidimos estabelecer um mecanismo regular de encontros semestrais entre os presidentes", disse o presidente Lula, cujo mandato termina no fim deste ano.

Durante a primeira visita oficial de Estado do presidente argentino ao Brasil, os dois países também acertaram a criação de grupos de coordenação para acelerar parcerias estratégicas nos setores de transporte, agricultura e energia.

Referindo-se ao presidente argentino como "companheiro", Lula não poupou elogios a Kirchner, e reconheceu que os dois países precisam manter a simetria nas relações comerciais. A Argentina defende maior equilíbrio na balança comercial, hoje favorável ao Brasil.

"Temos consciência de que precisamos trabalhar para que nossas relações econômicas sejam sempre mutuamente benéficas. Desequilíbrios ocasionais em uma relação tão intensa são normais, mas não é do interesse nem do Brasil nem da Argentina que essas assimetrias se tornem estruturais", avaliou o presidente brasileiro.

Para Lula, a relação entre os dois países teria alcançado a "maturidade", e o Brasil estaria aberto a propostas para aperfeiçoar os acordos setoriais em áreas prioritárias, como a automobilística, e a identificar medidas que a ajudem a acelerar a reindustrialização em curso na Argentina.

Futebol

O futebol, paixão declarada do presidente Lula, e tema de rivalidade histórica entre Brasil e Argentina, foi utilizado como um sinal de maturidade e de uma relação de paz pelo presidente brasileiro.

"Achava que, apenas no futebol, nossa antiga rivalidade persistiria. Mas vejo que até nisso eu estava enganado. A escolha de um argentino, Carlitos Tevez, como melhor jogador do Campeonato Brasileiro de 2005 prova que, também no esporte, nossos países se ajudam e se complementam", disse Lula.

Balanço

O presidente Lula aproveitou a declaração à imprensa feita ao lado do presidente Kirchner no Palácio do Planalto, para fazer um balanço dos dois governos.

"Nossos países alcançaram a estabilidade macroeconômica e superaram vulnerabilidades históricas. A decisão de nossos governos de liquidar suas dívidas com o FMI, em particular, reforça a determinação de Argentina e Brasil de redefinirem, de modo coordenado, seu lugar no mundo", afirmou.

Lula fez também o que chamou de "uma homenagem especial" à liderança do presidente Kirchner, e se disse orgulhoso pela visita do colega argentino.

"Sob sua segura direção, a Argentina deixou para trás anos de ceticismo e submissão para encontrar definitivamente seu destino. Seu governo superou a mais grave crise econômica da história argentina, recuperando o nível de renda e de empregos. Reestruturou uma dívida externa asfixiante e quitou as obrigações financeiras do país, restaurando a presença da Argentina em seu tradicional lugar de destaque na comunidade internacional. Mais do que isso, devolveu o orgulho e a esperança a uma nação rica em história e potencialidades", avaliou Lula.

Apesar de reconhecer que os dois países ainda têm avanços a conquistar, Lula fez questão de dizer que ele e Kirchner já fizeram muito mais do que os céticos esperavam.

"Nós dois ganhamos as eleições e existimos, politicamente, exatamente para resolver os desafios que outros não ousaram resolver", completou.

Gentil, Kirchner retribuiu os elogios do presidente Lula ao afirmar que o povo brasileiro deveria se orgulhar do presidente que tem, "generoso", e preocupado em ajudar os parceiros nos momentos difíceis enfrentados pela Argentina, e que teria uma "atitude de solidariedade permanente".

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