31/01/2006
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17h18
da Folha Online
Alan Greenspan, 79, deixa nesta terça-feira o Federal Reserve (Fed) o banco central americano, instituição que comandou por 18 anos e meio.
No dia 3 de agosto de 1987, Greenspan foi confirmado para o cargo pelo Senado americano. No dia 19 de outubro do mesmo ano, foi confrontado com uma queda de 22,6% no mercado de ações. Para efeito de comparação, a queda no dia 29 de outubro de 1929, quando os EUA entraram no período da Grande Depressão, que se estendeu pelos anos 30, foi de 11,7%.
Economistas e governos prendem a respiração, com a expectativa da troca, devido à incerteza sobre a atuação do presidente do banco para manter a estabilidade financeira americana --uma das principais atribuições da instituição.
Quando Paul Volcker (antecessor de Greenspan) foi alçado ao cargo em 1979, esperava-se dele que desse solução ao problema da inflação nos EUA. A taxa de juros do Fed no país com Volcker chegou a 19%. O remédio foi amargo, mas funcionou.
Greenspan recebe o crédito por ter mantido sob controle a política monetária americana (o que significa manter a estabilidade financeira e de preços) através das crises econômicas de 1987; nos anos 90, no México e na Ásia; em 2000, com o estouro da bolha da nova economia; e da recessão em 2001, na esteira dos ataques de 11 de Setembro.
As críticas, por sua vez, incidem sobre sua forma de combater as bolhas da economia: deixa-las estourarem para só então agir, desapertando a política monetária através de baixas de juros, para irrigar a economia e tentar evitar que a economia entre em recessão.
Ele já havia estado no governo antes --fora chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca durante o governo do presidente Gerald Ford (1974-1977), mesmo cargo ocupado por Ben Bernanke (que irá substituí-lo) antes de ser nomeado para o Fed.
O presidente do Fed também deverá ser lembrado por sua forma 'oracular' de se pronunciar, seja nos comunicados de Fed após as reuniões de juros, seja em seus pronunciamentos diante do Congresso. A palavra 'moderado' passou a incorporar o vocabulário dos economistas, que poderia ser entendida como um 'stand by': alguns interpretavam como um sinal de que o ciclo de altas da taxa de juros viesse a ser interrompido; outros, que sinalizaria uma nova alta na reunião seguinte.
"Baby boom"
A previdência e o Medicare (programa federal de assistência médica) são problemas da economia para os quais Greenspan tem chamado a atenção. A aposentadoria da geração 'baby-boom' dos EUA (os americanos nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial) se aproxima e o orçamento americano deve sofrer sérias pressões.
'Com os gastos com saúde continuando a crescer mais rápido do que a economia como um todo, os recursos adicionais necessários para tais programas vão exercer pressão no orçamento federal que crescerão de forma provável a tornar as políticas fiscais insustentáveis', disse Greenspan em um de seus pronunciamentos ao Congresso no ano passado.
Sangue-frio
Durante a crise de 1987, reações de pânico entre os diretores do Fed eram comuns --caso do presidente do Fed de Nova York à época, E. Gerald Corrigan, que disse que 'o mundo estava desabando'.
Greenspan? Manteve a calma, segundo o jornalista Bob Woodward, que escreveu uma biografia de Greenspan, chamada 'Maestro'. Greenspan teria dito a Corrigan: 'Não devemos nos preocupar com coisas sobre as quais nada podemos fazer'. Isso no dia em que o mercado financeiro caía mais de 20%.
Greenspan deve, agora que está fora do Fed, aceitar os diversos convites para realizar palestras --que não podia aceitar enquanto estava no banco--, e entrar para o WSB (sigla em inglês para Escritório de Oradores de Washington), que também conta com o ex-secretário de Estado dos EUA Colin Powell, o ex-presidente norte americano Bill Clinton e o ex-executivo-chefe do conglomerado General Electric, Jack Welch. Um livro sobre os anos à frente do Fed está em seus planos.
Caso decida aceitar os convites, no entanto, Greenspan --cujo salário na presidência do Fed era de US$ 180 mil por ano-- pode vir a cobrar cerca de US$ 150 mil por cada participação em eventos nos EUA.
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VINICIUS ALBUQUERQUEda Folha Online
Alan Greenspan, 79, deixa nesta terça-feira o Federal Reserve (Fed) o banco central americano, instituição que comandou por 18 anos e meio.
No dia 3 de agosto de 1987, Greenspan foi confirmado para o cargo pelo Senado americano. No dia 19 de outubro do mesmo ano, foi confrontado com uma queda de 22,6% no mercado de ações. Para efeito de comparação, a queda no dia 29 de outubro de 1929, quando os EUA entraram no período da Grande Depressão, que se estendeu pelos anos 30, foi de 11,7%.
Economistas e governos prendem a respiração, com a expectativa da troca, devido à incerteza sobre a atuação do presidente do banco para manter a estabilidade financeira americana --uma das principais atribuições da instituição.
Quando Paul Volcker (antecessor de Greenspan) foi alçado ao cargo em 1979, esperava-se dele que desse solução ao problema da inflação nos EUA. A taxa de juros do Fed no país com Volcker chegou a 19%. O remédio foi amargo, mas funcionou.
Greenspan recebe o crédito por ter mantido sob controle a política monetária americana (o que significa manter a estabilidade financeira e de preços) através das crises econômicas de 1987; nos anos 90, no México e na Ásia; em 2000, com o estouro da bolha da nova economia; e da recessão em 2001, na esteira dos ataques de 11 de Setembro.
As críticas, por sua vez, incidem sobre sua forma de combater as bolhas da economia: deixa-las estourarem para só então agir, desapertando a política monetária através de baixas de juros, para irrigar a economia e tentar evitar que a economia entre em recessão.
Ele já havia estado no governo antes --fora chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca durante o governo do presidente Gerald Ford (1974-1977), mesmo cargo ocupado por Ben Bernanke (que irá substituí-lo) antes de ser nomeado para o Fed.
O presidente do Fed também deverá ser lembrado por sua forma 'oracular' de se pronunciar, seja nos comunicados de Fed após as reuniões de juros, seja em seus pronunciamentos diante do Congresso. A palavra 'moderado' passou a incorporar o vocabulário dos economistas, que poderia ser entendida como um 'stand by': alguns interpretavam como um sinal de que o ciclo de altas da taxa de juros viesse a ser interrompido; outros, que sinalizaria uma nova alta na reunião seguinte.
"Baby boom"
A previdência e o Medicare (programa federal de assistência médica) são problemas da economia para os quais Greenspan tem chamado a atenção. A aposentadoria da geração 'baby-boom' dos EUA (os americanos nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial) se aproxima e o orçamento americano deve sofrer sérias pressões.
'Com os gastos com saúde continuando a crescer mais rápido do que a economia como um todo, os recursos adicionais necessários para tais programas vão exercer pressão no orçamento federal que crescerão de forma provável a tornar as políticas fiscais insustentáveis', disse Greenspan em um de seus pronunciamentos ao Congresso no ano passado.
Sangue-frio
Durante a crise de 1987, reações de pânico entre os diretores do Fed eram comuns --caso do presidente do Fed de Nova York à época, E. Gerald Corrigan, que disse que 'o mundo estava desabando'.
Greenspan? Manteve a calma, segundo o jornalista Bob Woodward, que escreveu uma biografia de Greenspan, chamada 'Maestro'. Greenspan teria dito a Corrigan: 'Não devemos nos preocupar com coisas sobre as quais nada podemos fazer'. Isso no dia em que o mercado financeiro caía mais de 20%.
Greenspan deve, agora que está fora do Fed, aceitar os diversos convites para realizar palestras --que não podia aceitar enquanto estava no banco--, e entrar para o WSB (sigla em inglês para Escritório de Oradores de Washington), que também conta com o ex-secretário de Estado dos EUA Colin Powell, o ex-presidente norte americano Bill Clinton e o ex-executivo-chefe do conglomerado General Electric, Jack Welch. Um livro sobre os anos à frente do Fed está em seus planos.
Caso decida aceitar os convites, no entanto, Greenspan --cujo salário na presidência do Fed era de US$ 180 mil por ano-- pode vir a cobrar cerca de US$ 150 mil por cada participação em eventos nos EUA.
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