Dinheiro
08/02/2006 - 20h17

Empresas querem criar "plano popular de saúde" para baratear custo

FABIANA FUTEMA
da Folha Online

As empresas de saúde apresentaram para o Ministério da Saúde uma proposta para criar um "plano popular" de atendimento. O objetivo é baratear os custos de cobertura do setor e também ampliar o número de usuários do serviço, estimado hoje em cerca de 40 milhões de pessoas.

Segundo a Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), esse número de usuários está estacionado desde 1999. "Como a população aumentou e houve a criação de planos odontológicos, isso significa que houve um esvaziamento do número de usuários", disse o presidente da Abramge, Arlindo Almeida.

Pelos cálculos de Almeida, o setor de medicina de grupo poderia contar hoje com 60 milhões de usuários. "Para isso precisaria haver um plano com um preço adequado ao preço da população."

A fórmula das empresas de saúde para criar o "plano popular" passa pela redução da cobertura dos procedimentos médicos mais caros, como terapia para câncer e hemodiálise. "Nem todo mundo precisa desse tipo de tratamento. Muita gente que está fora da medicina de grupo precisa apenas de atendimento médico e realizar exames de rotina", afirmou Almeida.

Segundo ele, as empresas de saúde também precisam desse plano mais enxuto para sobreviverem no mercado brasileiro. "Muitas empresas correm o risco de quebrar num ambiente de reajustes contidos de preços e coberturas cada vez maiores."

Críticas

Almeida disse que sabe que a proposta das empresas de saúde é criticada pelas entidades de defesa do consumidor e médicos. No entanto, ele disse que o setor precisa encontrar uma forma para reduzir seus custos no Brasil para não correr o risco de quebrar. Almeida utilizou como exemplo as seguradoras de saúde, que suspenderam a venda de produtos particulares e passaram a atender apenas clientes empresariais --que possui regras mais flexíveis de reajuste de preços.

Segundo ele, a criação desse plano econômico poderia impedir as empresas de medicina de grupo a seguir a mesma trajetória das seguradoras de saúde. Em defesa do setor, Almeida afirmou que a medicina de grupo é importante para a manutenção de uma parcela da atividade econômica.

"Os médicos, hospitais e laboratórios dependem das empresas de saúde. Se elas quebrarem, toda uma cadeia será prejudicada."

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