Dinheiro
22/05/2006 - 21h34

Ministério Público volta a acusar Daslu de fraude em importação

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KAREN CAMACHO
da Folha Online

A Daslu, maior loja de luxo do país, voltou a ser acusada pelo Ministério Público Federal de importar mercadorias de forma irregular. Dessa vez, os produtos teriam entrado no país por Santa Catarina. A carga que, segundo o MPF, entrou no país irregularmente, soma R$ 1,7 milhão e foi importada pela Columbia Trading, que nega as acusações.

O procurador federal Matheus Baraldi Magnani informou que a carga foi apreendida em Santa Catarina em janeiro e que foi importada por conta e ordem da Daslu. De acordo com a promotoria, a empresa importadora não declarou à Receita Federal que a carga era da loja de luxo, o que permitiu à sonegação de mais de R$ 300 mil em impostos.

Segundo a Receita, com a introdução irregular da carga no país, a Daslu deixou de recolher o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), que incidiria sobre a margem de lucro da loja ao vender a carga, cujo valor de varejo é avaliado em R$ 5 milhões. Descontados os R$ 170 mil recolhidos pela Columbia, deixaram de ser pagos pela megaloja mais R$ 330 mil de IPI.

"A Columbia Trading tentou introduzir a carga no país sonegando informações ao Fisco, tomando para si a importação. Dessa forma, a Daslu deixa de recolher o IPI sobre a margem de lucro, pois só é pago o IPI do valor da carga (R$ 170 mil)", disse o procurador da República Magnani.

O procurador, que atua no processo em que Eliana Tranchesi, dona da Daslu, seu irmão, Antonio Carlos Piva de Albuquerque e os proprietários de cinco importadoras respondem por fraude em importação, juntou as informações de Santa catarina ao processo já existente.

"Eu interpreto esses fatos como uma reiteração criminosa e um flagrante de desrespeito e afronta ao Judiciário por parte da Daslu, afirmou o procurador da República Matheus Baraldi Magnani.

Outro lado

O diretor da Columbia Trading, Rodrigo Somlo, disse que não há irregularidade e que as mercadorias foram compradas por ele. "Eu comprei, paguei, os fornecedores são os fabricantes e minha empresa não é fantasma. A Daslu, muito provavelmente, seria a compradora de boa parte dessas mercadorias já que é a maior distribuidora de produto de luxo do país. Isso não significa que ela estava importando", disse

Somlo disse ainda que está recorrendo, mas que, em primeira instância, o juiz negou a liberação da carga, que inclui bolsas Gucci e Chanel. "Parece que é uma perseguição com a Daslu", disse Somlo. Procurada para comentar as acusções do MPF, a Daslu não quis comentar.

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