Dinheiro
06/07/2006 - 11h10

ONG defende qualidade e metodologia de testes em molhos de tomate

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da Folha Online

Maria Inês Dolci, advogada, colunista da Folha e da Folha Online e diretora do Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), respondeu às críticas feitas em nota pela assessoria de imprensa do Pão de Açúcar, a respeito dos resultados de testes em produtos alimentícios realizados pela Pro Teste.

Nas análises, envolvendo 30 molhos de vários fabricantes, foram encontrados pêlos de roedores e pedaços de insetos. No caso dos produtos da Companhia Brasileira de Distribuição houve eliminação por falta de esterilidade comercial ou seja, por contaminação. O Pão de Açúcar rebateu os testes em em nota.

Segue, abaixo a réplica da colunista:

"Os testes comparativos feitos pela Pro Teste têm se pautado sempre pela ética e em aspectos considerados de fundamental importância para os consumidores, quais sejam:

Clareza das informações apresentadas na rotulagem dos produtos testados; aprimoramento do mercado, com foco na parte mais frágil na relação de consumo, que é consumidor.

As entidades de consumidores existentes no mundo se baseiam em critérios normativos da ISO Guide 46:1985 (Comparative testing of consumer products and related services General principles). Foi assim com o teste realizado com molhos de tomate. É informada a metodologia, os critérios avaliados e os resultados encontrados, são enviados para manifestação do fabricante.
Segundo esse critério, não há obrigatoriedade de se identificar para o fabricante, o laboratório escolhido ou os técnicos responsáveis pelas análises. No contrato feito entre as entidades e os laboratórios, há cláusula de sigilo, e não podem ser identificados sob pena de multa. Isso visa garantirt que não haja pressão das partes. As entidades quando fazem testes por razões contratuais assumem toda a responsabilidade técnica por quaisquer informações divulgadas.

Os testes realizados são comparativos, e não de desempenho ou de conformidade. Esse entendimento, inclusive, no julgamento de teste envolvendo outro produto, foi referendado pela 4ª Câmara do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento de Agravo de Instrumento (ainda não publicado, mas com resultado já conhecido pelo fornecedor).
Os laboratórios utilizados nas análises são credenciados e altamente reconhecidos, não somente internacionalmente. Todos têm registros no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA ) e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É contratado o que há de melhor no mercado.

Esclarecemos que os fornecedores a qualquer tempo, têm assegurado o pleno direito de resposta, nos termos da Lei de Imprensa em vigor, e não há razão para que a Associação seja atacada da forma canhestra como vem sendo feito.

A verdade sobre os produtos interessa a todos os consumidores e a missão da entidade é realizada de forma independente, sem vinculações a interesses políticos e ou do capital. Talvez por isso, desagrade a alguns "donos da verdade".

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