07/07/2006
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16h43
da Folha Online, no Rio
A consultoria Deloitte, administradora judicial da Varig, encaminhou hoje relatório à Justiça do Rio de Janeiro com duras críticas à proposta de compra da empresa aérea feita pela VarigLog. No documento, a Deloitte rejeita a realização de leilão da companhia com base na proposta da ex-subsidiária de transportes.
Entre outras coisas, a Deloitte avalia que o preço mínimo de R$ 277 milhões oferecido pela VarigLog não é real e a aceitação dessa oferta é prejudicial aos credores em face do que poderiam receber em uma eventual decretação de falência.
"Não parece a esse administrador [a Deloitte] que poderia ser levado a efeito leilão judicial nas bases sugeridas pela VarigLog, seja porque isso frustaria a competição almejada pelo leilão criando uma venda direta sob a roupagem de uma venda judicial, seja porque a venda pelo preço mínimo apresentado pela VarigLog não seria benéfica aos credores e às próprias empresas em recuperação [do grupo Varig] comparando-se aos valores que poderão ser eventualmente obtidos pela alienação dos ativos em sede de falência", diz o relatório.
A consultoria contesta a forma de pagamento do preço mínimo --que inclui rendimento de debêntures e venda de ativos de credores como o Aerus (fundo de pensão dos funcionários de companhias aéreas. Para a Deloitte, os ativos oferecidos como pagamento seriam, na verdade, equivalentes a R$ 126,962 milhões, e a não a R$ 277 milhões.
A Deloitte também afirma que o valor real da proposta (R$ 126,9 milhões) é "ínfimo" ao tamanho da dívida com os credores (R$ 7,9 bilhões). Para a consultoria, o pagamento apenas "assegurará" a falência das empresas que permanecerem com "antiga Varig" (a concessão da Nordeste e marcas da Rio-Sul e Nordeste).
O relatório afirma que há dúvidas se a VarigLog assumiria também obrigações recentes do programa de fidelidade Smiles e acredita que uma "quantidade irrelevante" dos 10 mil empregados seria absorvida pela "nova Varig". A demissão dos demais funcionários geraria um custo de US$ 65 milhões para a "velha Varig".
Além disso, a consultoria afirma que o leilão, de acordo com a proposta da VarigLog, seria pouco competitivo "criando uma venda direta sob a roupagem de leilão judicial".
A VarigLog quer que o leilão tenha como preço mínimo R$ 277 milhões, seja feito o depósito de US$ 22 milhões em garantias e apresentada uma carta de fiança bancária de US$ 75 milhões. Além disso, a proposta prevê uma multa de 20% sobre o valor mínimo que deve ser repartida pela Varig e pela ex-subsidiária. Essas condições foram consideradas "descabidas" pela Deloitte.
De acordo com a consultoria, se não houver outros interessados na compra da Varig, o mais correto seria apresentar diretamente a proposta para aprovação dos credores em assembléia do que fazer um novo leilão.
Diante desse relatório da Deloitte, a Justiça do Rio de Janeiro decidiu hoje manter cancelado o novo leilão da Varig e pediu mais detalhes à VarigLog sobre a proposta.
O leilão estava inicialmente previsto para acontecer na próxima quarta-feira, mas foi suspenso. Hoje havia a expectativa de que uma nova data fosse definida.
A Justiça, entretanto, informou que o Ministério Público no Rio de Janeiro e a administradora judicial da Varig, a consultoria Deloitte, querem saber qual será o preço mínimo ofertado pela VarigLog e como ficariam as dívidas que deverão permanecer com a "velha Varig" após a venda de suas operações.
A VarigLog deve apresentar esses detalhes em audiência marcada para a próxima segunda-feira, segundo a Justiça.
Fontes ligadas à VarigLog informaram que a empresa já depositou US$ 2 milhões na conta da Varig para arcar com custos com combustível até essa reunião. No total, cerca de US$ 11 milhões foram repassados pela VarigLog.
A VarigLog tenta comprar as operações da Varig e tem sido pressionada pela Justiça do Rio de Janeiro a encontrar uma solução para viabilizar financeiramente também a parte da empresa que não for comprada, chamada de "velha Varig".
O preço mínimo de R$ 277 milhões seria pago com a manutenção na "velha Varig" de duas aeronaves, imóveis e o centro de treinamento de tripulantes da empresa aérea.
Além desses ativos, até US$ 20 milhões seriam injetados na empresa aérea antes mesmo da realização do leilão.
O Aerus receberá debêntures no valor de R$ 50 milhões e prazo de vencimento de dez anos. As debêntures serão conversíveis em ações e corresponderão a até 5% do capital da Varig.
Além disso, a VarigLog informou que tem a intenção de comprar a participação de 5% do Aerus na própria VarigLog por R$ 24 milhões. O Aerus, no entanto, sinaliza que não está satisfeito com a proposta.
A proposta da VarigLog também inclui a injeção de US$ 75 milhões na Varig na data da homologação do leilão pela Justiça, mais US$ 75 milhões 30 dias depois, mais recursos financeiros adicionais no valor de até US$ 215 milhões com base em cronograma de investimento definido em plano de negócios.
Os valores serão prioritariamente para capital de giro, reservas de caixa, recuperação de aeronaves, renegociação de valores devidos às empresas de leasing, aquisição e arrendamento de mais aviões, negociação de fornecimento de combustíveis e utilização de infra-estrutura aeroportuária.
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CLARICE SPITZda Folha Online, no Rio
A consultoria Deloitte, administradora judicial da Varig, encaminhou hoje relatório à Justiça do Rio de Janeiro com duras críticas à proposta de compra da empresa aérea feita pela VarigLog. No documento, a Deloitte rejeita a realização de leilão da companhia com base na proposta da ex-subsidiária de transportes.
Entre outras coisas, a Deloitte avalia que o preço mínimo de R$ 277 milhões oferecido pela VarigLog não é real e a aceitação dessa oferta é prejudicial aos credores em face do que poderiam receber em uma eventual decretação de falência.
"Não parece a esse administrador [a Deloitte] que poderia ser levado a efeito leilão judicial nas bases sugeridas pela VarigLog, seja porque isso frustaria a competição almejada pelo leilão criando uma venda direta sob a roupagem de uma venda judicial, seja porque a venda pelo preço mínimo apresentado pela VarigLog não seria benéfica aos credores e às próprias empresas em recuperação [do grupo Varig] comparando-se aos valores que poderão ser eventualmente obtidos pela alienação dos ativos em sede de falência", diz o relatório.
A consultoria contesta a forma de pagamento do preço mínimo --que inclui rendimento de debêntures e venda de ativos de credores como o Aerus (fundo de pensão dos funcionários de companhias aéreas. Para a Deloitte, os ativos oferecidos como pagamento seriam, na verdade, equivalentes a R$ 126,962 milhões, e a não a R$ 277 milhões.
A Deloitte também afirma que o valor real da proposta (R$ 126,9 milhões) é "ínfimo" ao tamanho da dívida com os credores (R$ 7,9 bilhões). Para a consultoria, o pagamento apenas "assegurará" a falência das empresas que permanecerem com "antiga Varig" (a concessão da Nordeste e marcas da Rio-Sul e Nordeste).
O relatório afirma que há dúvidas se a VarigLog assumiria também obrigações recentes do programa de fidelidade Smiles e acredita que uma "quantidade irrelevante" dos 10 mil empregados seria absorvida pela "nova Varig". A demissão dos demais funcionários geraria um custo de US$ 65 milhões para a "velha Varig".
Além disso, a consultoria afirma que o leilão, de acordo com a proposta da VarigLog, seria pouco competitivo "criando uma venda direta sob a roupagem de leilão judicial".
A VarigLog quer que o leilão tenha como preço mínimo R$ 277 milhões, seja feito o depósito de US$ 22 milhões em garantias e apresentada uma carta de fiança bancária de US$ 75 milhões. Além disso, a proposta prevê uma multa de 20% sobre o valor mínimo que deve ser repartida pela Varig e pela ex-subsidiária. Essas condições foram consideradas "descabidas" pela Deloitte.
De acordo com a consultoria, se não houver outros interessados na compra da Varig, o mais correto seria apresentar diretamente a proposta para aprovação dos credores em assembléia do que fazer um novo leilão.
Diante desse relatório da Deloitte, a Justiça do Rio de Janeiro decidiu hoje manter cancelado o novo leilão da Varig e pediu mais detalhes à VarigLog sobre a proposta.
O leilão estava inicialmente previsto para acontecer na próxima quarta-feira, mas foi suspenso. Hoje havia a expectativa de que uma nova data fosse definida.
A Justiça, entretanto, informou que o Ministério Público no Rio de Janeiro e a administradora judicial da Varig, a consultoria Deloitte, querem saber qual será o preço mínimo ofertado pela VarigLog e como ficariam as dívidas que deverão permanecer com a "velha Varig" após a venda de suas operações.
A VarigLog deve apresentar esses detalhes em audiência marcada para a próxima segunda-feira, segundo a Justiça.
Fontes ligadas à VarigLog informaram que a empresa já depositou US$ 2 milhões na conta da Varig para arcar com custos com combustível até essa reunião. No total, cerca de US$ 11 milhões foram repassados pela VarigLog.
A VarigLog tenta comprar as operações da Varig e tem sido pressionada pela Justiça do Rio de Janeiro a encontrar uma solução para viabilizar financeiramente também a parte da empresa que não for comprada, chamada de "velha Varig".
O preço mínimo de R$ 277 milhões seria pago com a manutenção na "velha Varig" de duas aeronaves, imóveis e o centro de treinamento de tripulantes da empresa aérea.
Além desses ativos, até US$ 20 milhões seriam injetados na empresa aérea antes mesmo da realização do leilão.
O Aerus receberá debêntures no valor de R$ 50 milhões e prazo de vencimento de dez anos. As debêntures serão conversíveis em ações e corresponderão a até 5% do capital da Varig.
Além disso, a VarigLog informou que tem a intenção de comprar a participação de 5% do Aerus na própria VarigLog por R$ 24 milhões. O Aerus, no entanto, sinaliza que não está satisfeito com a proposta.
A proposta da VarigLog também inclui a injeção de US$ 75 milhões na Varig na data da homologação do leilão pela Justiça, mais US$ 75 milhões 30 dias depois, mais recursos financeiros adicionais no valor de até US$ 215 milhões com base em cronograma de investimento definido em plano de negócios.
Os valores serão prioritariamente para capital de giro, reservas de caixa, recuperação de aeronaves, renegociação de valores devidos às empresas de leasing, aquisição e arrendamento de mais aviões, negociação de fornecimento de combustíveis e utilização de infra-estrutura aeroportuária.
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