29/08/2006
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13h31
da Folha Online
A decisão da diretoria da mineradora canadense Inco de recomendar aos seus acionistas, hoje, que rejeitem a proposta de compra da empresa feita Companhia Vale do Rio Doce pode ser apenas uma estratégia para pressionar a brasileira e fazê-la aumentar a sua oferta, na opinião de analistas do mercado financeiro.
Em 11 de agosto, a Vale anunciou uma oferta pública para adquirir todas as ações ordinárias --com direito a voto em decisões da empresa-- da Inco. A mineradora brasileira se propôs a pagar, à vista, 86 dólares canadenses por papel, o que daria aproximadamente US$ 17 bilhões.
O preço foi considerado baixo, já que, na Bolsa de Toronto, naquele dia as ações estavam cotadas na casa dos 86 dólares canadenses e nesta terça-feira estão perto desse valor. Portanto, já havia uma expectativa por parte da Inco de que o montante fosse elevado -- em nenhum momento essa possibilidade foi comentada pela companhia brasileira.
No começo do mês, a Inco tinha mais duas propostas além da da Vale: a da americana Phelps Dodge, de 85,67 dólares canadenses por papel, e a da também canadense Teck Cominco, de 87,24 dólares por papel. No entanto, as duas previam ações das interessadas como parte do pagamento.
A Teck Cominco retirou sua oferta no dia 17, mas a Phelps Dodge tem um acordo com a Inco que lhe dá preferência na compra da companhia, e foi em favor desse trato que a diretoria da mineradora disputada se manifestou hoje.
"A oferta da Vale é melhor do que a da Phelps Dodge, que disputa com ela, porque prevê a totalidade do pagamento em dinheiro", diz Guilherme Marins, analista de investimentos da corretora Ativa. Até porque a maior parte dos acionistas da Inco é de fundos de investimentos, para quem não interessaria ter ações das outras empresas.
De início, a proposta da Vale foi mal recebida pelos seus acionistas por três motivos. Primeiro, de que, devido à concorrência, a aquisição poderia sair muito cara. O segundo, de que a brasileira precisará se endividar para honrar o pagamento. E o terceiro, de que, como parte dos recursos vem dos cofres da própria Vale, os acionistas prefeririam embolsá-los como dividendos a gastá-los, mesmo com as perspectivas de ganhos futuros que a compra teria.
Com o passar do tempo, aumentou o número de investidores que acreditam que a operação pode ser vantajosa para a Vale.
Atualmente, a maior parte das receitas da mineradora brasileira vem da exploração e comercialização de minério de ferro, então os seus resultados ficam muito atrelados à variação cíclica de preços dessa commodity. Como a Inco é líder no mercado global de níquel --a segunda em produção e primeira em reservas--, essa diversificação de atuação seria muito interessante para a Vale. A exploração do mercado de níquel ainda não está consolidada.
Além disso, com a aquisição, a companhia brasileira passaria a ser a segunda maior mineradora do mundo, à frente da sul-africana Anglo American e da australiana Rio Tinto e atrás apenas da anglo-australiana BHP Billiton.
Na Bovespa, às 13h13 as ações preferenciais da Vale recuavam 1,47%, para R$ 40, e as ordinárias tinham baixa de 1,62%, a R$ 45,35. Além do mau humor geral na Bolsa --seu principal índice caía 0,75%, para 36.096 pontos--, está falando mais alto o medo de que a companhia precise aumentar a oferta.
Mesmo com a rejeição de hoje, ainda é grande a chance de a Vale levar a Inco, segundo especialistas. "As incertezas aumentam, é claro, porém lances como esse fazem parte da negociação", comenta Marins. "Só nos resta aguardar."
Os acionistas da mineradora canadense se reúnem no próximo dia 7 para decidir se aceitam ou não a proposta da Phelps Dodge.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a Inco
Leia o que já foi publicado sobre a Phelps Dodge
Leia o que já foi publicado sobre a Vale do Rio Doce
Leia o que já foi publicado sobre a Bovespa
Rejeição pela diretoria da Inco à proposta da Vale pode ser blefe, dizem analistas
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DENYSE GODOYda Folha Online
A decisão da diretoria da mineradora canadense Inco de recomendar aos seus acionistas, hoje, que rejeitem a proposta de compra da empresa feita Companhia Vale do Rio Doce pode ser apenas uma estratégia para pressionar a brasileira e fazê-la aumentar a sua oferta, na opinião de analistas do mercado financeiro.
Em 11 de agosto, a Vale anunciou uma oferta pública para adquirir todas as ações ordinárias --com direito a voto em decisões da empresa-- da Inco. A mineradora brasileira se propôs a pagar, à vista, 86 dólares canadenses por papel, o que daria aproximadamente US$ 17 bilhões.
O preço foi considerado baixo, já que, na Bolsa de Toronto, naquele dia as ações estavam cotadas na casa dos 86 dólares canadenses e nesta terça-feira estão perto desse valor. Portanto, já havia uma expectativa por parte da Inco de que o montante fosse elevado -- em nenhum momento essa possibilidade foi comentada pela companhia brasileira.
No começo do mês, a Inco tinha mais duas propostas além da da Vale: a da americana Phelps Dodge, de 85,67 dólares canadenses por papel, e a da também canadense Teck Cominco, de 87,24 dólares por papel. No entanto, as duas previam ações das interessadas como parte do pagamento.
A Teck Cominco retirou sua oferta no dia 17, mas a Phelps Dodge tem um acordo com a Inco que lhe dá preferência na compra da companhia, e foi em favor desse trato que a diretoria da mineradora disputada se manifestou hoje.
"A oferta da Vale é melhor do que a da Phelps Dodge, que disputa com ela, porque prevê a totalidade do pagamento em dinheiro", diz Guilherme Marins, analista de investimentos da corretora Ativa. Até porque a maior parte dos acionistas da Inco é de fundos de investimentos, para quem não interessaria ter ações das outras empresas.
De início, a proposta da Vale foi mal recebida pelos seus acionistas por três motivos. Primeiro, de que, devido à concorrência, a aquisição poderia sair muito cara. O segundo, de que a brasileira precisará se endividar para honrar o pagamento. E o terceiro, de que, como parte dos recursos vem dos cofres da própria Vale, os acionistas prefeririam embolsá-los como dividendos a gastá-los, mesmo com as perspectivas de ganhos futuros que a compra teria.
Com o passar do tempo, aumentou o número de investidores que acreditam que a operação pode ser vantajosa para a Vale.
Atualmente, a maior parte das receitas da mineradora brasileira vem da exploração e comercialização de minério de ferro, então os seus resultados ficam muito atrelados à variação cíclica de preços dessa commodity. Como a Inco é líder no mercado global de níquel --a segunda em produção e primeira em reservas--, essa diversificação de atuação seria muito interessante para a Vale. A exploração do mercado de níquel ainda não está consolidada.
Além disso, com a aquisição, a companhia brasileira passaria a ser a segunda maior mineradora do mundo, à frente da sul-africana Anglo American e da australiana Rio Tinto e atrás apenas da anglo-australiana BHP Billiton.
Na Bovespa, às 13h13 as ações preferenciais da Vale recuavam 1,47%, para R$ 40, e as ordinárias tinham baixa de 1,62%, a R$ 45,35. Além do mau humor geral na Bolsa --seu principal índice caía 0,75%, para 36.096 pontos--, está falando mais alto o medo de que a companhia precise aumentar a oferta.
Mesmo com a rejeição de hoje, ainda é grande a chance de a Vale levar a Inco, segundo especialistas. "As incertezas aumentam, é claro, porém lances como esse fazem parte da negociação", comenta Marins. "Só nos resta aguardar."
Os acionistas da mineradora canadense se reúnem no próximo dia 7 para decidir se aceitam ou não a proposta da Phelps Dodge.
Especial


