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Dinheiro
29/08/2006 - 14h56

Bolivia restaura, com uso de tropas, fornecimento de gás à Argentina

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da Folha Online

O fornecimento de gás natural à Argentina for normalizado na manhã desta terça-feira pelo governo Boliviano, com o uso da força militar do país durante a madrugada para retirar os manifestantes que ocuparam a estação de bombeamento da Transredes, que exporta gás para o país vizinho.

Segundo o administrador da Província de Gran Chaco (sul do país), Gualberto Durán, o bombeamento a partir da estação da Transredes foi normalizado por volta das 7h (8h em Brasília) de hoje.

"Mais ou menos às sete da manhã o bombeamento foi normalizado sem incidentes, porque a ocupação da estação do gasoduto na fronteira foi pacífica", disse Durán, segundo o site do diário boliviano "El Deber".

Cerca de 2.000 pessoas ocuparam ontem uma estação de bombeamento da empresa Transredes, na cidade de Yacuiba (sul da Bolívia, na fronteira com a Argentina), e fecharam as válvula do gasoduto pelo qual são transportados cerca de 4,5 milhões de metros cúbicos de gás diariamente ao país vizinho.

Entre os manifestantes estiveram moradores dos vilarejos de San José de Pocitos, em Yacuiba --entre eles, representantes de grupos de comerciantes locais--, e de Salvador Mazza, no lado argentino da fronteira, disse o presidente do Comitê de Pocitos, Gabriel Escalante.

As exigências do grupo eram: intervenção do governo boliviano no projeto de construção de uma nova ponte internacional (financiado pela argentina), que seria construída a nove quilômetros da localidade, para que seja construída a apenas um quilômetro de distância; e de que o governo argentino revogue a decisão da aduana argentina, que elevou para 10 pesos o pedágio para entrada de argentinos na Bolívia, limitou a entrada no território boliviano a uma vez por mês e limitou os gastos dos argentinos no país a até US$ 50 por pessoa.

Por volta das 20h (em Brasília) de ontem, as válvulas começaram a ser fechadas. Um grupo de manifestantes permaneceu às portas da estação à noite para evitar que as válvulas fossem reabertas. Um grupo de dirigentes da Transredes permaneceu no prédio da empresa.

Petrobras

Nesta segunda-feira, comunidades de índios guaranis ocuparam as reservas de gás e petróleo na região do Chaco (700 quilômetros ao sul de La Paz) sob ameaça de cortar produção e exportações para o Brasil.

O líder da APG (Assembléia do Povo Guarani), Wilson Changaray, disse que a decisão foi tomada devido ao fracasso nas negociações com a Transierra (sociedade formada pela Petrobras, pela Repsol YPF e pela francesa TotalFinaElf). Ele disse que as negociações "não resultaram em nada, porque a empresa [Transierra] não compareceu à reunião na sexta-feira passada, por isso nosso protesto agora é maior".

Os índios guaranis já haviam ocupado, ha cerca de dez dias, a Estação Operacional de Parapetí, da Transierra, no município de Charagua (leste do país), para exigir o repasse de cerca de US$ 9 milhões que a Transierra teria prometido, em um acordo firmado em julho de 2005. A empresa, por sua vez, informou que deve liberar a verba, como compensação por danos ambientais, em 20 anos.

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