30/08/2006
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10h15
da Folha de S.Paulo
Os últimos cortes realizados na taxa básica Selic não foram suficientes para ameaçar a liderança do Brasil no ranking dos países com os maiores juros reais do planeta.
Se a taxa Selic for reduzida hoje em 0,25 ponto (para 14,50%), como espera boa parte do mercado, o Brasil passará a contar com juros reais de 9,6% anuais. O segundo colocado do ranking, a Turquia, conta com taxa real de 5,1%. Os dados são de estudo feito pela UpTrend Consultoria Econômica, que levantou as taxas praticadas em 40 países.
Para chegar ao juro real, foi considerada a taxa básica e descontada dela a inflação projetada para os próximos 12 meses.
Entre os latino-americanos, quem está mais perto do Brasil são o México --taxa de 4,4%-- e a Venezuela --2,1%.
"Os juros no Brasil ainda são muito elevados. Estão em um processo de queda, mas que é muito lento. Acredito que só poderemos ter juros reais perto de 5% ou 6% lá para 2008", avalia Alex Agostini, economista da consultoria Austin Rating.
O Brasil iniciou 2005 ultrapassando a Turquia e assumindo a liderança como o país com os juros reais mais elevados do mundo. Desde lá, tem mantido seu posto. E isso apesar de o país passar por um processo de queda na taxa básica e a Turquia subir seus juros.
O BC turco elevou os juros no país de 13,75% em junho para 17,50% agora. No Brasil, a taxa Selic saiu de 18% no começo do ano para 14,75% agora.
Se for considerada apenas a taxa nominal, a Turquia (com 17,50%) e a Indonésia (com 15,58%) estão acima do Brasil.
Mas, como os juros reais descontam a inflação --que está em queda no Brasil e em alta na Turquia--, o país se mantém como líder do ranking.
Investimento
Os juros reais são a referência do setor privado para decidir quanto e quando irão investir. Assim, enquanto os juros reais brasileiros se mantiverem no topo do mundo, a tendência é a de os projetos de investimentos privados não se aquecerem muito.
Mesmo que o Copom (Comitê de Política Monetária, formado por diretores e o presidente do BC) seja mais ousado e reduza a taxa Selic em 0,50 ponto ou 0,75 ponto percentual, os juros reais seguirão bem à frente dos de outros países. No primeiro caso, se a Selic descer a 14,25%, a taxa real iria a 9,4%. No segundo caso, a taxa iria a 9,1%.
Segundo o estudo, a Selic teria de ser reduzida em cinco pontos percentuais (ou seja, para 9,75%) para que o Brasil fosse alcançado pela Turquia, que tem juros reais de 5,1%.
O Copom iniciou sua reunião periódica ontem. No início da noite de hoje, anunciará como vai ficar a Selic até seu próximo encontro, que ocorrerá entre os dias 17 e 18 de outubro.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), a taxa projetada recuou em todos os contratos DI, sinal de que cresceu a parcela dos que apostam em corte de 0,50 ponto na Selic.
Para a LCA Consultores, há espaço para um corte de 0,50 ponto. "Aumentaram as chances de que isso ocorra. Mas a autoridade monetária deverá optar por tomar um passo mais cauteloso", analisa a LCA, que espera que a Selic seja cortada em 0,25 ponto percentual.
A última pesquisa semanal do BC com os bancos mostrou que a previsão média do mercado é que a taxa básica encerre 2006 a 14%. Para 2007, a expectativa é que a taxa termine em 13%.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre juros reais
Brasil ainda terá juros mais altos do mundo mesmo após corte do Copom
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FABRICIO VIEIRAda Folha de S.Paulo
Os últimos cortes realizados na taxa básica Selic não foram suficientes para ameaçar a liderança do Brasil no ranking dos países com os maiores juros reais do planeta.
Se a taxa Selic for reduzida hoje em 0,25 ponto (para 14,50%), como espera boa parte do mercado, o Brasil passará a contar com juros reais de 9,6% anuais. O segundo colocado do ranking, a Turquia, conta com taxa real de 5,1%. Os dados são de estudo feito pela UpTrend Consultoria Econômica, que levantou as taxas praticadas em 40 países.
Para chegar ao juro real, foi considerada a taxa básica e descontada dela a inflação projetada para os próximos 12 meses.
Entre os latino-americanos, quem está mais perto do Brasil são o México --taxa de 4,4%-- e a Venezuela --2,1%.
"Os juros no Brasil ainda são muito elevados. Estão em um processo de queda, mas que é muito lento. Acredito que só poderemos ter juros reais perto de 5% ou 6% lá para 2008", avalia Alex Agostini, economista da consultoria Austin Rating.
O Brasil iniciou 2005 ultrapassando a Turquia e assumindo a liderança como o país com os juros reais mais elevados do mundo. Desde lá, tem mantido seu posto. E isso apesar de o país passar por um processo de queda na taxa básica e a Turquia subir seus juros.
O BC turco elevou os juros no país de 13,75% em junho para 17,50% agora. No Brasil, a taxa Selic saiu de 18% no começo do ano para 14,75% agora.
Se for considerada apenas a taxa nominal, a Turquia (com 17,50%) e a Indonésia (com 15,58%) estão acima do Brasil.
Mas, como os juros reais descontam a inflação --que está em queda no Brasil e em alta na Turquia--, o país se mantém como líder do ranking.
Investimento
Os juros reais são a referência do setor privado para decidir quanto e quando irão investir. Assim, enquanto os juros reais brasileiros se mantiverem no topo do mundo, a tendência é a de os projetos de investimentos privados não se aquecerem muito.
Mesmo que o Copom (Comitê de Política Monetária, formado por diretores e o presidente do BC) seja mais ousado e reduza a taxa Selic em 0,50 ponto ou 0,75 ponto percentual, os juros reais seguirão bem à frente dos de outros países. No primeiro caso, se a Selic descer a 14,25%, a taxa real iria a 9,4%. No segundo caso, a taxa iria a 9,1%.
Segundo o estudo, a Selic teria de ser reduzida em cinco pontos percentuais (ou seja, para 9,75%) para que o Brasil fosse alcançado pela Turquia, que tem juros reais de 5,1%.
O Copom iniciou sua reunião periódica ontem. No início da noite de hoje, anunciará como vai ficar a Selic até seu próximo encontro, que ocorrerá entre os dias 17 e 18 de outubro.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), a taxa projetada recuou em todos os contratos DI, sinal de que cresceu a parcela dos que apostam em corte de 0,50 ponto na Selic.
Para a LCA Consultores, há espaço para um corte de 0,50 ponto. "Aumentaram as chances de que isso ocorra. Mas a autoridade monetária deverá optar por tomar um passo mais cauteloso", analisa a LCA, que espera que a Selic seja cortada em 0,25 ponto percentual.
A última pesquisa semanal do BC com os bancos mostrou que a previsão média do mercado é que a taxa básica encerre 2006 a 14%. Para 2007, a expectativa é que a taxa termine em 13%.
Especial

