01/02/2007
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16h49
da Folha Online
São Paulo deixou de ser a locomotiva do país e vive um momento de estagnação da economia e, por conseqüência, da geração de emprego. O Estado onde migrantes de todas as regiões do país buscavam oportunidades no passado já não absorve mão-de-obra e registra um dos maiores números de "exportação" de trabalhadores.
Em contrapartida, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que se desenvolveram mais nos últimos 15 anos, não apresentam resultados tão positivos de forma a equilibrar o emprego no país. Pelo contrário, onde há geração de vagas, principalmente em locais com atividades de agropecuária, também há aumento do desemprego, em função da migração desordenada.
Os dados estão no estudo inédito "Nova geoeconomia do emprego no Brasil: um balanço de 15 anos nos Estados da federação", do economista Marcio Pochmann, coordenador técnico do Instituo DataSOL.
O trabalho reúne informações sobre a evolução do PIB, do emprego, da migração e da PEA (População Economicamente Ativa) por Estado e por região do país, de 1990 a 2005.
Migração
O perfil do migrante mudou nos últimos 15 anos, segundo Pochmann. No ano passado, cerca de 2,8 milhões de brasileiros migraram para algum lugar. Até 2000, esse número era de cerca de 3,2 milhões por ano.
Mas o migrante atual não procura apenas os cargos de rendimentos menores. Apesar dos Estados com atividade agropecuária estarem entre os que mais recebem migrantes, o perfil do trabalhador que se muda se volta para o comércio e prestação de serviços.
São Paulo, que chegou a ter como saldo entre entrada e saídas de migrantes a absorção de 340 mil migrantes entre 1995 e 2000, mudou seu perfil e teve como saldo a "exportação" de 105 mil pessoas entre 1999 e 2004.
O Rio chegou a ter como saldo a entrada de 45,5 mil pessoas de 1995 a 2000. O Estado, no entanto, teve saldo de 77 mil trabalhadores "exportados" de 1999 a 2004.
A Bahia é o Estado que mais tem saldo com a saída de pessoas, 352 mil de 1995 a 2004. Goiás é o Estado que mais absorveu migrantes neste mesmo período, 350 mil, também no saldo que exclui as saídas.
O Centro-Oeste registrou saldo líquido de 465 mil migrantes, descontando os que saíram, de 1995 a 2004. Toda a região Norte registrou saldo de 126 mil pessoas no mesmo período.
Trabalho
Entre 1990 e 2005, o Pará foi o Estado com maior geração de emprego proporcional, com alta de 5,43%, incluindo trabalho formal e informal. Na seqüência vêm Mato Grosso (4,38%) e Amazonas (4,14%). São Paulo ocupa o 15º lugar com aumento de 1,77% nas vagas o Rio está em 22º, com alta de apenas 0,85%. A média nacional é de 2,32%.
Ainda assim, a PEA cresceu mais do que o mercado de trabalho pode absorver e o desemprego aumentou em todos os Estados, mesmo em regiões como Norte e Centro-Oeste, onde houve expansão da economia e o PIB por trabalhador na ativa cresceu mais.
A taxa de desemprego subiu 15,27% no Mato Grosso, de 1999 a 2005, e 15,15% no Amazonas, no mesmo período. São Paulo registrou alta de 11,42% e o Rio de Janeiro de 8,43%.
Segundo Pochmann, isso ocorre porque a população migra e acaba gerando mais demanda de emprego do que a região ofertaria. Isso também derruba os rendimentos.
Na região Norte, apesar do PIB por ocupado ter crescido 2,15%, os rendimentos caíram 37,95%, de 1990 a 2005.
No Sudeste, o PIB por ocupado cresceu 1,11%, mas o rendimento caiu 8,53% e, no Centro-Oeste, o PIB por ocupado subiu 20,79%, mas os rendimentos caíram 5,21%.
Especial
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SP e Rio exportam mão-de-obra para Norte e Centro-Oeste, diz pesquisa
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KAREN CAMACHOda Folha Online
São Paulo deixou de ser a locomotiva do país e vive um momento de estagnação da economia e, por conseqüência, da geração de emprego. O Estado onde migrantes de todas as regiões do país buscavam oportunidades no passado já não absorve mão-de-obra e registra um dos maiores números de "exportação" de trabalhadores.
Em contrapartida, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que se desenvolveram mais nos últimos 15 anos, não apresentam resultados tão positivos de forma a equilibrar o emprego no país. Pelo contrário, onde há geração de vagas, principalmente em locais com atividades de agropecuária, também há aumento do desemprego, em função da migração desordenada.
Os dados estão no estudo inédito "Nova geoeconomia do emprego no Brasil: um balanço de 15 anos nos Estados da federação", do economista Marcio Pochmann, coordenador técnico do Instituo DataSOL.
O trabalho reúne informações sobre a evolução do PIB, do emprego, da migração e da PEA (População Economicamente Ativa) por Estado e por região do país, de 1990 a 2005.
Migração
O perfil do migrante mudou nos últimos 15 anos, segundo Pochmann. No ano passado, cerca de 2,8 milhões de brasileiros migraram para algum lugar. Até 2000, esse número era de cerca de 3,2 milhões por ano.
Mas o migrante atual não procura apenas os cargos de rendimentos menores. Apesar dos Estados com atividade agropecuária estarem entre os que mais recebem migrantes, o perfil do trabalhador que se muda se volta para o comércio e prestação de serviços.
São Paulo, que chegou a ter como saldo entre entrada e saídas de migrantes a absorção de 340 mil migrantes entre 1995 e 2000, mudou seu perfil e teve como saldo a "exportação" de 105 mil pessoas entre 1999 e 2004.
O Rio chegou a ter como saldo a entrada de 45,5 mil pessoas de 1995 a 2000. O Estado, no entanto, teve saldo de 77 mil trabalhadores "exportados" de 1999 a 2004.
A Bahia é o Estado que mais tem saldo com a saída de pessoas, 352 mil de 1995 a 2004. Goiás é o Estado que mais absorveu migrantes neste mesmo período, 350 mil, também no saldo que exclui as saídas.
O Centro-Oeste registrou saldo líquido de 465 mil migrantes, descontando os que saíram, de 1995 a 2004. Toda a região Norte registrou saldo de 126 mil pessoas no mesmo período.
Trabalho
Entre 1990 e 2005, o Pará foi o Estado com maior geração de emprego proporcional, com alta de 5,43%, incluindo trabalho formal e informal. Na seqüência vêm Mato Grosso (4,38%) e Amazonas (4,14%). São Paulo ocupa o 15º lugar com aumento de 1,77% nas vagas o Rio está em 22º, com alta de apenas 0,85%. A média nacional é de 2,32%.
Ainda assim, a PEA cresceu mais do que o mercado de trabalho pode absorver e o desemprego aumentou em todos os Estados, mesmo em regiões como Norte e Centro-Oeste, onde houve expansão da economia e o PIB por trabalhador na ativa cresceu mais.
A taxa de desemprego subiu 15,27% no Mato Grosso, de 1999 a 2005, e 15,15% no Amazonas, no mesmo período. São Paulo registrou alta de 11,42% e o Rio de Janeiro de 8,43%.
Segundo Pochmann, isso ocorre porque a população migra e acaba gerando mais demanda de emprego do que a região ofertaria. Isso também derruba os rendimentos.
Na região Norte, apesar do PIB por ocupado ter crescido 2,15%, os rendimentos caíram 37,95%, de 1990 a 2005.
No Sudeste, o PIB por ocupado cresceu 1,11%, mas o rendimento caiu 8,53% e, no Centro-Oeste, o PIB por ocupado subiu 20,79%, mas os rendimentos caíram 5,21%.
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