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Dinheiro
14/02/2007 - 09h13

Brasil oferecerá pacote de ajuda a Morales, que se reúne hoje com Lula

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ELIANE CANTANHÊDE
Colunista da Folha de S.Paulo, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ontem para o colega Evo Morales, da Bolívia, que confirmou sua vinda hoje a Brasília. Eles devem fechar dois projetos conjuntos importantes, um na área de infra-estrutura e outro na de gás, além de 15 acordos.

Segundo o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, deverá ser anunciado um "financiamento generoso, bastante camarada" para a construção de uma rodovia para a interligação física da América do Sul: irá de La Paz até o norte da Bolívia, fazendo conexão com a rodovia Brasil-Peru.

O financiamento será via Proex, dentro da categoria de exportação de serviços, o que significa que será destinado a empreiteiras brasileiras dispostas a executar a obra. Garcia disse que haverá taxas de juros e prazos de carência diferenciados, admitindo garantias dadas pelo próprio Estado boliviano.

O outro projeto será na área de infra-estrutura, via Petrobras: um investimento de grande porte para a construção de um gasoduto no sul do continente, aumentando o fornecimento para o Brasil (especificamente Rio Grande do Sul e Paraná), Paraguai e Uruguai.

A questão do preço do gás boliviano, um impasse nas relações dos dois países, será discutida por Lula e Morales e pelos ministros dos dois países, que terão uma reunião de trabalho ampliada. O desfecho, porém, ainda é imprevisível.

Segundo Garcia, a visita também deverá resultar na assinatura de 15 acordos bilaterais, inclusive na área militar, na educação e no combate à febre aftosa. Ele não deu detalhes nem totais em dinheiro.

Na segunda-feira, o chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, criou mal-estar no governo brasileiro ao declarar que Morales poderia cancelar a viagem de última hora, caso não houvesse acordo prévio quanto do preço do gás.

No Itamaraty, a ameaça foi interpretada como "infantilidade" e "amadorismo" da política externa boliviana. Ontem, porém, a orientação foi relevar o incidente e evitar polêmicas.

"Não é hora de botar lenha na fogueira, e sim de cozinhar tudo em fogo brando, em benefício dos dois países", disse o assessor de Lula à Folha.

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