Dinheiro
04/05/2007 - 09h46

Produção industrial brasileira cresce pelo sexto mês consecutivo

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio de Janeiro

A produção industrial brasileira intensificou o movimento de alta e avançou 1,2% em março na comparação com fevereiro, segundo dados com ajuste sazonal. Trata-se do sexto crescimento consecutivo, período em que acumula alta de 3,6%, considerando revisões das informações divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o instituto, os dados de janeiro passaram de um resultado negativo em 0,4% para alta de 0,3%. Já no mês de fevereiro, o crescimento passou de 0,3% para 0,6%.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a indústria apresentou expansão de 3,9% no nível de atividade. No primeiro trimestre de 2007, a indústria acumula expansão de 3,8% sobre o último trimestre de 2006. Nos últimos 12 meses, o indicador apresenta alta de 2,7%.

Segundo o IBGE, a tendência na indústria neste ano continua sendo de crescimento moderado, com comportamentos diferenciados entre os setores. A média móvel trimestral mostra crescimento de 0,6% entre o trimestre encerrado em março ante o trimestre terminado em fevereiro.

"O desempenho de março além de mostrar em si uma taxa expressiva de 1,2%, ele vem apoiado na produção de bens intermediários, que antecipa um certo encadeamento para a produção de bens finais. Se agregamos a isso as estatísticas já disponíveis em relação ao comercio exterior, que foram positivas, e estatísticas de licenciamento de veículos para abril, isso abre perspectiva de manutenção dessa trajetória positiva", afirmou Silvio Sales, chefe da Coordenação da Indústria.

Os bens intermediários, que detêm o maior peso no índice, subiram 1,8% em março ante fevereiro e foram o principal destaque para o crescimento.

A alta de 1,2% pode ser explicada pelos segmentos de refino de petróleo e produção de álcool (+ 2,3%), veículos automotores, que aumentaram em 6% a produção e o de máquinas e equipamentos (+ 4,2%).

A expansão da indústria só não foi maior graças ao desempenho do segmento de bens de consumo semi e não-duráveis, que recuaram 0,4% em março na comparação com fevereiro. Entre as dificuldades encontradas está o aumento da concorrência de importações. Com o real valorizado, o setor de farmacêutica enfrentou um aumento do volume das importações no setor de cerca de 30% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O segmento apontou a maior retração em março ante fevereiro: 8,8%.

"O câmbio afeta negativamente um conjunto de setores e positivamente aqueles que importam componentes, equipamentos e com isso se tornam mais competitivos", disse.

Os bens de capital caíram 0,4% sobre fevereiro. Segundo Sales, trata-se de uma acomodação, após sucessivas altas. No ano, os bens de capital lideram a produção industrial, com avanço de 14,8%. De acordo com Sales, neste ano o crescimento na categoria é mais espalhado, com maior abrangência de sub-setores.

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