21/12/2000
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20h20
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O governo cogita a possibilidade de reduzir a taxa de juros da caderneta de poupança, hoje fixada por lei em 6,17 % ao ano.
O diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, disse hoje que a discussão sobre o assunto será inevitável caso as taxas básicas de juros continuem sua trajetória de queda. "Não sei quando isso vai ocorrer, mas estamos chegando cada vez mais perto desse dia", afirmou. As mudanças dependem de lei.
Segundo ele, será necessário pensar em alguma alteração quando os juros de outras aplicações financeiras caírem abaixo de 6,17% ao ano, a remuneração básica da caderneta de poupança. A caderneta é remunerada com juros simples de 0,5% por mês mais a TR (taxa referencial).
Quando isso ocorrer, afirmou, os recursos aplicados em outras modalidades de investimento tenderão a migrar para a caderneta, prejudicando o financiamento do governo _pois recursos hoje usados para comprar títulos públicos iriam para a poupança_ e as captações dos bancos para outros setores.
Outra distorção, argumentou Darcy, seria o fim do sistema de financiamento habitacional com recursos da poupança. Segundo ele, com a queda dos juros, o público irá preferir tomar empréstimos em outras modalidades de financiamento a recorrer ao SFH (Sistema Financeiro da Habitação), que usa dinheiro da poupança. O SFH trabalha com a TR mais juros de 1% ao mês.
Mudança na TR
Essa é a primeira vez que se cogita a mudança dos juros básicos da poupança. Até hoje, as alterações em estudo envolviam o índice de correção monetária do investimento, feita pela TR.
O próprio diretor de Normas chegou a especular, em entrevista no Rio de Janeiro, sobre a hipótese de substituir a TR por um índice de preços, como o IGP-M.
A idéia recebeu críticas de analistas do mercado e integrantes do governo, que receavam que o uso do IGP-M para corrigir um investimento tão popular quanto a poupança poderia incentivar a reindexação da economia.
Um dos principais desafios em uma eventual mudança da taxa de juros da caderneta será evitar que haja uma nova perda de depósitos. A baixa atratividade da poupança se deve a uma mudança na metodologia de cálculo da TR feita pelo BC em 1997. Desde então, esse indicador deixou de acompanhar de perto a remuneração dos títulos públicos federais.
Hoje, a TR equivale a cerca de 65% da remuneração média dos CDB (Certificados de Depósito Bancário). Devido a distorções da metodologia, a tendência era que tal indicador continuasse a cair, até ficar negativo.
Para evitar que isso ocorresse, ontem o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou uma mudança na metodologia de cálculo da TR. O objetivo é garantir que o rendimento da caderneta não fique abaixo de 65% do CDB.
Governo estuda reduzir juro da poupança
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O governo cogita a possibilidade de reduzir a taxa de juros da caderneta de poupança, hoje fixada por lei em 6,17 % ao ano.
O diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, disse hoje que a discussão sobre o assunto será inevitável caso as taxas básicas de juros continuem sua trajetória de queda. "Não sei quando isso vai ocorrer, mas estamos chegando cada vez mais perto desse dia", afirmou. As mudanças dependem de lei.
Segundo ele, será necessário pensar em alguma alteração quando os juros de outras aplicações financeiras caírem abaixo de 6,17% ao ano, a remuneração básica da caderneta de poupança. A caderneta é remunerada com juros simples de 0,5% por mês mais a TR (taxa referencial).
Quando isso ocorrer, afirmou, os recursos aplicados em outras modalidades de investimento tenderão a migrar para a caderneta, prejudicando o financiamento do governo _pois recursos hoje usados para comprar títulos públicos iriam para a poupança_ e as captações dos bancos para outros setores.
Outra distorção, argumentou Darcy, seria o fim do sistema de financiamento habitacional com recursos da poupança. Segundo ele, com a queda dos juros, o público irá preferir tomar empréstimos em outras modalidades de financiamento a recorrer ao SFH (Sistema Financeiro da Habitação), que usa dinheiro da poupança. O SFH trabalha com a TR mais juros de 1% ao mês.
Mudança na TR
Essa é a primeira vez que se cogita a mudança dos juros básicos da poupança. Até hoje, as alterações em estudo envolviam o índice de correção monetária do investimento, feita pela TR.
O próprio diretor de Normas chegou a especular, em entrevista no Rio de Janeiro, sobre a hipótese de substituir a TR por um índice de preços, como o IGP-M.
A idéia recebeu críticas de analistas do mercado e integrantes do governo, que receavam que o uso do IGP-M para corrigir um investimento tão popular quanto a poupança poderia incentivar a reindexação da economia.
Um dos principais desafios em uma eventual mudança da taxa de juros da caderneta será evitar que haja uma nova perda de depósitos. A baixa atratividade da poupança se deve a uma mudança na metodologia de cálculo da TR feita pelo BC em 1997. Desde então, esse indicador deixou de acompanhar de perto a remuneração dos títulos públicos federais.
Hoje, a TR equivale a cerca de 65% da remuneração média dos CDB (Certificados de Depósito Bancário). Devido a distorções da metodologia, a tendência era que tal indicador continuasse a cair, até ficar negativo.
Para evitar que isso ocorresse, ontem o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou uma mudança na metodologia de cálculo da TR. O objetivo é garantir que o rendimento da caderneta não fique abaixo de 65% do CDB.

