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Parente assume 'ministério do apagão'
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O governo descobriu ontem que a crise de energia, que vai gerar apagões no país a partir de junho, é grave. Para monitorar o problema, o presidente Fernando Henrique Cardoso afastou temporariamente o ministro Pedro Parente da chefia da Casa Civil. Ele vai coordenar o 'ministério do apagão'.
FHC determinou a criação de um grupo de trabalho interministerial para gerenciar e unificar as ações do governo no programa de racionamento.
Parente se dedicará ao tema -segundo ele, ''devido a sua importância e repercussões''.
Inicialmente, o grupo será integrado ainda pelo ministro de Minas e Energia, José Jorge, e possivelmente pelo secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce -que depende de liberação do governador, Geraldo Alckmin, que seria negociada por FHC.
Na prática, a decisão de FHC, tomada após reunião de quase três horas no Palácio da Alvorada no final do dia, com a presença de cinco ministros, retira do Ministério de Minas e Energia a coordenação das ações na área energética sobre o racionamento.
Parente disse que a iniciativa da criação do grupo foi do próprio ministro José Jorge, para que o assunto ficasse ligado diretamente à Presidência da República.
''A dimensão é mais séria do que se antecipou'', afirmou Parente -chamado informalmente de ''ministro extraordinário para controle do racionamento''.
O grupo foi criado depois de o governo não ter conseguido fechar uma proposta na última reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), anteontem, de combate à escassez de energia elétrica. O grupo começa a trabalhar imediatamente.
''Essa será uma missão muito difícil'', afirmou Parente. Segundo o ministro, FHC deu plenos poderes para que a comissão ''tenha agilidade, competência e recursos para executar suas tarefas e necessidades''.
''A função do grupo é resolver o futuro. Nesse momento é isso que nos interessa. Não vamos perder um tempo, que é precioso, para explicar essas questões todas.''
Segundo ele, esse futuro inclui ainda ações para evitar o racionamento no próximo ano -ou seja, para evitar a necessidade de cortes no período em que haverá eleição presidencial.
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