Dinheiro
13/07/2001 - 09h57

Redução no preço do DVD provoca atrito no setor

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ADRIANA MATTOS
da Folha de S.Paulo

A guerra de DVDs entrou numa zona de perigo: algumas empresas estariam vendendo o produto sem garantir nenhuma rentabilidade. Gradiente e LG colocaram o aparelho nas prateleiras por R$ 499. Companhias como Semp Toshiba e Philips duvidam de que essa política de preços baixos possa ser mantida sem prejuízo.

Para complicar a situação, as vendas -ainda que bem mais elevadas do que em 2000- não atingiram a meta da indústria, de 60 mil unidades em maio e outras 60 mil em junho. Foram 43 mil, em média, em cada mês. A razão é o racionamento de energia, que afastou os clientes das lojas.

''Se não fosse o racionamento, as empresas venderiam mais, ou 60 mil no último mês, como se esperava'', diz Marcelo Granja, gerente de produtos da LG.

Com a necessidade de as residências atingirem metas de consumo de energia, os consumidores passaram a retirar os aparelhos das tomadas. A compra de um novo item só pressionaria ainda mais o gasto com eletricidade.

Se o cenário não parece tão próspero para o setor, para os consumidores é animador: nunca o DVD esteve tão barato no Brasil.

Por isso, as empresas acreditam que -mesmo com a possibilidade de o país ficar no escuro- ele deverá ser o único produto que não registrará uma queda tão brutal na comercialização em 2001. Só em maio, as vendas do setor caíram, em média, 23%.

Nos EUA, o DVD mais barato, vendido no Wal Mart -a maior rede varejista norte-americana-, sai por US$ 189,97 (já incluído os impostos), ou R$ 473,50. A LG, por exemplo, reduziu o preço de R$ 549 para R$ 499 há dez dias. Ou seja, um valor próximo ao praticado nos EUA.

Essa estratégia tem mantido a procura pelo aparelho em alta, ainda que numa velocidade menor do que a esperada pelas indústrias. De janeiro a maio foram vendidos 75,2% mais DVDs que em igual período de 2000.

A decisão de Gradiente e LG de reduzir os preços incomoda as concorrentes. ''Existem empresas praticando preços irreais'', disse Afonso Hennel, presidente da Semp Toshiba. Há companhias que acreditam que exista uma tentativa de algumas marcas de comprar mercado.

As empresas compram mercado -expressão comum utilizada pelos empresários da indústria- quando reduzem tanto os preços que conseguem ''roubar'' clientes de outras marcas e, com isso, ampliar vendas e aumentar seu ''market share'' (participação de mercado). Com a decisão, tomada em maio, de reduzir os preços de R$ 699 para R$ 499, a Gradiente já admitiu que quer 50% do mercado de DVDs no Brasil.

As marcas que decidiram reduzir seus preços rebatem as afirmações de que estariam perdendo rentabilidade com a operação. Segundo a Gradiente, só foi possível trabalhar com essas tabelas porque a empresa comprou componentes a preços reduzidos após longas negociações com fornecedores asiáticos.

''Ainda assim, é meio complicado conseguir importar todos os componentes por preços em conta com a cotação do dólar atual. Isso encarece as importações'', diz Pui Penna, diretor da Panasonic.

 

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