Dinheiro
30/05/2007 - 12h42

Elevação do imposto de importação ajuda a impedir desemprego maior

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MÁRCIO RODRIGUES
da Folha Online

O aumento do imposto de importação para têxteis e calçados, de 20% para 35% --o máximo permitido-- ajudou a impedir que a taxa de desemprego fosse ainda maior no mês de abril. A avaliação é do coordenador técnico da equipe de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian.

De acordo com o economista, os setores têxtil, calçadista e moveleiro já vinham "em queda livre" há algum tempo. "O aumento do desemprego nesses segmentos já vinha ocorrendo. Agora, com o aumento das taxas de importação, o governo tentou proteger esses setores", disse Loloian. A ampliação do imposto de importação foi anunciado pelo governo federal em abril deste ano.

Ainda segundo Loloian, a queda do dólar impacta de forma diferente na indústria. "Se por um lado, os setores que dependem de produtos importados, como o de eletroeletrônicos, conseguem reduzir custos e vender produtos mais baratos, os setores que dependem de mão-de-obra intensiva têm suas cadeias produtivas destruídas", avalia.

Na grande São Paulo, por exemplo, a indústria de vestuário e têxtil registrou baixa de 6,2% no nível de emprego em abril frente ao mês de março. Já no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o índice está negativo em 14,8%.

Para Loloian, a forma de minimizar esse cenário é, além do crescimento interno, a redução dos juros. "Hoje, existe uma unanimidade sobre a necessidade de se reduzir os juros. Isso porque, o dinheiro externo que tem entrado no país, também é especulativo e não gera empregos, contribuindo para a desvalorização do dólar."

Outro fator que pode contribuir para a queda no desemprego é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), trazendo crescimento interno, aumento do emprego e da renda.

Últimos 12 meses

Apesar do aumento na taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas --Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo-- de 16,6% em março, para 16,9% em abril, o índice anual apresenta melhora. Em abril de 2006, a taxa de desemprego medida pela PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) da Fundação Seade e Dieese. (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) era de 18%.

O principal motivo para a melhora anual decorreu de um aumento de 2,7% no nível de ocupação. De acordo com a pesquisa, foram geradas 415 mil ocupações no total das regiões pesquisas. O número "foi mais que o suficiente" para absorver as 254 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho no período.

Os principais geradores de empregos ao longo do último ano foram o comércio, com aumento de 7,9%, serviços (3,4%) e construção civil (0,9%). Na indústria, houve retração de 1,3%.

 

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