Dinheiro
31/05/2007 - 14h34

Construção, veículos e máquinas puxam crescimento da indústria paulista

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MÁRCIO RODRIGUES
da Folha Online

Os setores de construção civil, automobilístico e de máquinas e equipamentos têm contribuído de forma "expressiva" para o crescimento da produção industrial em São Paulo. A avaliação é do diretor do departamento de economia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Francini, que acredita na continuidade desse cenário.

"A construção civil registrou um crescimento de 7,5% no primeiro trimestre em São Paulo, contra uma média nacional de 6%, segundo o Sinduscon [Sindicato da Construção Civil]. A indústria automobilística está com um vigor muito grande devido ao aumento do crédito para pessoa física. Além disso, o setor de máquinas e equipamentos cresce entre 7% e 9%, puxado principalmente pelos investimentos no setor sucroalcooleiro", revela Francini.

O INA (Indicador do Nível de Atividade) da indústria de transformação divulgado nesta quinta-feira (31) pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) apresentou alta de 1,2% em abril na comparação com março, segundo dado com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada mês.

Sem ajuste sazonal, a produção industrial de abril sobre o mesmo período de 2006 teve crescimento de 10,8%. Com o resultado de abril, a indústria paulista acumula no ano crescimento de 5,4% no nível de atividade frente aos quatro primeiros meses de 2006.

Francini disse que a atividade industrial do Estado deve encerrar o ano com crescimento de 3,5% a 3,7%, frente aos 2,9% apresentados em em 2006.

Em relação ao crescimento de 10,8% registrado em abril deste ano frente ao mesmo mês de 2006, Francini pondera sobre o número de dias úteis. "No ano passado, os dias úteis do mês de abril foram 18, contra 20 no mês passado. Uma parte desse crescimento se deve a essa diferença", explicou o diretor da Fiesp.

De qualquer forma, ele diz que a divulgação dos dados de abril é feita "com prazer" pelas entidades. "Mesmo não alterando nossas projeções de crescimento para o restante do ano, os dados indicam que não há sinais de queda nos próximos meses."

Ele lembra também que a base de comparação do 1º semestre de 2006 é baixa devido ao fraco desempenho da indústria até o meio do ano passado. "Houve uma recuperação da atividade industrial no 2º semestre de 2006, que tem se mantido em 2007. Portanto, nos últimos seis meses do ano, o ritmo de crescimento frente ao ano anterior deve ser reduzido."

O diretor do departamento de economia do Ciesp, Boris Tabacof, diz que o ambiente macroeconômico tem transformado o consumo interno no impulsionador do crescimento.

Porém, "no longo prazo, o crescimento não pode se sustentar apenas pelo consumo. Os investimentos também têm que ser o motor do crescimento. Esperamos que isso se concretize, especialmente com os investimentos previstos no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], pois a expansão da economia vai depender disso nos próximos anos", afirmou Tabacof.

Ainda segundo ele, dos 17 setores analisados pela pesquisa, os nove que apresentam crescimento acima da média do INA são basicamente ligados ao consumo interno.

Destaques

Entre as altas na atividade industrial no mês passado, destaque para os setores de minerais não metálicos, que fechou o mês com elevação de 1%, com ajuste sazonal, e produtos têxteis, com crescimento de 1,7%, também com ajuste.

Em relação aos minerais não metálicos, Francini explica que eles estão diretamente relacionados à construção civil, pois trata-se de produtos como cimento, cerâmica, blocos e vidro.

Segundo o INA, o principal destaque no nível de ocupação da indústria de São Paulo ficou com metalurgia básica, que teve o nível de utilização da capacidade instalada em 93,4%, seguida por equipamentos de escritório e informática, com 92%.

O destaque negativo ficou com o setor de edição, impressão e reprodução de gravações, que utilizou apenas 76,2% da capacidade instalada.

No geral, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação paulista ficou em 82,2% em abril, contra 81,5% registrado em março. No mesmo mês de 2006, o uso foi de 77,7%.

 

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