Aumento de importações ainda não é suficiente para reduzir saldo comercial
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O saldo da balança comercial só ficará menor neste ano se aumentar a distância entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações. A avaliação é de Armando Meziat, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.
"O atual crescimento das importações ainda não é suficiente para reduzir o superávit em valor absoluto. Tem que haver um distanciamento entre as duas taxas para que o superávit caia", afirmou.
As exportações somam neste ano US$ 60,097 bilhões e as importações, US$ 43,243 bilhões, crescimentos de 21,2% e 26,7%, respectivamente. Já o superávit comercial, que é a diferença positiva entre vendas e compras, está em US$ 16,854 bilhões, valor 9,06% maior que o registrado nos cinco primeiros meses de 2006.
Para Meziat, esse crescimento das importações em ritmo maior que o das exportações ainda não garante uma queda no superávit neste ano em relação a 2006, que foi de US$ 46,411 bilhões. Com a baixa cotação do dólar, era esperado para este ano a queda do superávit.
O secretário atribuiu ao aumento dos preços, tanto de commodities como de produtos manufaturados, e aos novos mercados o crescimento das exportações.
Até abril, os preços dos produtos exportados cresceram 9,4% e a quantidade, 8,3%. Já no ano passado, o comportamento foi diferente, os preços subiram 12,5% e a quantidade, só 3,4%.
"As importações [que possibilitam insumos mais baratos], a demanda tecnológica, a redução dos custos de produção compensam o impacto do câmbio. As empresas estão dando uma demonstração de grande profissionalismo. Ao diversificar os mercados você neutraliza o efeito câmbio", disse o secretário.
China
Meziat acredita que nos próximos anos a concorrência do Brasil com os produtos chineses tanto no mercado interno como externo irá reduzir, já que a China terá que atender a uma série de exigências da OMC (Organização Mundial do Comércio) até 2013. Entre elas, a questão trabalhista e a redução dos subsídios. "A tendência no tempo é essa concorrência diminuir."
Até lá, o Brasil pode adotar salvaguardas contra a China. Existem hoje mais de dez processos de investigação contra produtos chineses.
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