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Dinheiro
04/06/2007 - 14h47

Dólar pode afetar faturamento da indústria nos próximos meses

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

A continuidade da valorização do real frente ao dólar poderá afetar o crescimento das vendas da indústria nos próximos meses. A avaliação é da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que reclama que a baixa cotação do dólar afeta cada vez mais a competitividade das empresas, com redução do faturamento da parcela da produção direcionada ao exterior.

"A intensificação da valorização cambial, se continuar no mesmo ritmo que o ocorrido em abril, deverá dificultar a trajetória positiva das vendas reais dos próximos meses", afirma o boletim de Indicadores Industriais da CNI.

Em abril, a valorização média do real foi de 2,7% em relação ao mês anterior, com uma cotação de R$ 2,03. Na mesma comparação, as vendas tiveram uma queda de 0,9%. O movimento, segundo a CNI, foi influenciado pela apreciação do real.

"Aquela parcela das vendas que é direcionada ao exterior acaba gerando uma queda na receita dessas empresas. Isso deve se repetir em maio, já que a cotação média ficou abaixo de R$ 2. A intensidade vai depender de como o dólar vai se comportar até o final do ano", afirmou Paulo Mol, da Unidade de Política Econômica da CNI.

Já na comparação com o mesmo mês do ano passado, o faturamento com as vendas da indústria apresentou uma elevação de 6,6%. No acumulado do ano, a vendas somam crescimento de 4,8%. Os setores com melhores desempenhos são o de máquinas e equipamentos (13,9%), minerais não-metálicos (9,6%), metalurgia básica (8,7%) e refino e álcool (7,7%).

No entanto, a pesquisa da CNI mostra que esse desempenho se concentra em poucos setores, já que outros estão com o crescimento baixo ou com queda nas vendas, como edição e impressão (-0,6%) e materiais elétricos e de comunicação (-16,2%). Este último segmento sofre a concorrência das importações, explicou Mol.

Ainda de acordo com o levantamento da CNI, a utilização da capacidade instalada chegou em abril a 82,6% (dado dessazonalizado) --trata-se do maior patamar da série histórica, iniciada em 2003. Em abril do ano passado, o indicador estava em 79,7% e, em março, ficou em 82,1%. O setor com mais utilização da capacidade instalada é o de metalurgia básica, com 98,8%, seguido de papel e celulose, com 88,1%.

Mol reafirmou que esse processo de crescimento da utilização da capacidade de produção das empresas é diferente do ocorrido em 2004. Como foi muito rápido, havia o temor de que as empresas não conseguissem atender à demanda, e por isso o Banco Central decidiu elevar os juros para conter uma possível elevação nos preços. Agora, ele lembra que essa expansão é mais lenta e ocorre junto com o aumento da taxa de investimentos e do aumento da importação de bens de capitais, o que indica que as empresas estão investindo.

Vagas

Em abril, o nível de pessoal empregado subiu 3,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, e 0,5% na comparação com o mês anterior --trata-se do 17º mês consecutivo de resultados positivos nesta base de comparação.

No ano, a abertura de vagas na indústria acumula alta de 3,4%. O setor que mais gerou emprego na indústria de transformação em 2007 é o álcool, com 15% de expansão, e o de alimentos e bebidas, com 10,4%.

Horas

O relatório aponta ainda que as horas trabalhadas na produção da indústria subiram 0,8% em abril em relação a março, descontados fatores sazonais. Em números sem ajuste sazonal, houve queda de 1,2%. Na comparação com abril de 2006, foi registrada expansão de 6,3%.

No primeiro quadrimestre deste ano, as horas trabalhadas registram crescimento de 3,6% em relação a 2006. De acordo com a CNI, o aumento das horas trabalhadas ocorreu em 11 setores dos 19 pesquisados.

 

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