Dinheiro
05/06/2007 - 09h41

Produção industrial cai 0,1% em abril após seis altas seguidas

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

A produção industrial brasileira interrompeu uma seqüência de seis meses consecutivos de alta e registrou queda de 0,1% em abril na comparação com março (com ajuste sazonal). A variação de 0,1% ficou abaixo das expectativas dos analistas consultados pela Folha Online, que previam crescimento entre 0,1% e 1,3%. O crescimento da indústria em março sofreu leve revisão, de 1,2% para 1,3%.

Para o coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales, a queda da produção em abril representou um movimento de "acomodação" após seis meses de alta, período em que acumulou alta de 3,6%.

"Esse -0,1% é mais uma acomodação da produção do que propriamente uma inversão de tendência", afirma. Ele lembra da média móvel trimestral --indicador de tendência-- que apontou expansão de 0,6% entre o trimestre encerrado em abril ante o terminado em março.

O segmento que mais contribuiu para o desempenho negativo da produção industrial foi o de Alimentos, que recuou 1,9% após cinco resultados positivos. Outros setores que também tiveram peso negativo foram perfumaria e produtos de limpeza (-5,7%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-3,4%), refino de petróleo e produção de álcool (-1,2%).

Por outro lado, as contribuições positivas partiram de produtos químicos (2,3%) e bebidas (4,3%).

Os bens intermediários, que detêm o maior peso no índice, caíram 0,6% em abril ante março. O bens de consumo duráveis tiveram queda de 1,4%. Os bens de consumo semi e não-duráveis avançaram 0,8%.

Já os bens de capital recuaram 1,2%, apontando queda pelo segundo mês consecutivo. A produção de bens de capital foi a única a apontar decréscimo na passagem de março para abril, segundo o indicador de média móvel (-0,4%). No ano, porém, os bens de capital acumulam alta de 15,4%.

Sales disse não ver sinal de alerta com o desempenho de bens de capitais. "Todas as taxas de bens de capital em 2007 foram de dois dígitos. Nos meses anteriores a importação de bens de capital veio por cima da importação em geral, o que reforça a idéia de expansão da capacidade produtiva e isso deve repercutir na taxa de investimento." Na próxima semana, o IBGE divulga o resultado do PIB brasileiro no primeiro trimestre do ano.

2007 X 2006

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a indústria apresentou expansão de 6% no nível de atividade. A evolução foi a melhor desde junho de 2005, quando a indústria apontou alta de 6,4%. Analistas consultados pela Folha Online esperavam por alta de 5% e 6,2%.

O desempenho industrial foi favorecido pela existência de dois dias úteis a mais neste ano, segundo Sales. Em termos de categoria de uso, o principal destaque coube aos bens de capital.

O segmento de bens de capital liderou o crescimento com alta de 17,4%, ritmo muito acima da média da indústria (6,0%). O crescimento atingiu todos os subsetores: os bens de capital para transporte cresceram 13,3%; os bens de capital para uso misto (computadores) subiram 12,8%; para fins industriais cresceram 23,2%; para energia elétrica, 20,6%; para construção, 23,3%; e para fins agrícolas, 39,4%.

Os ramos industriais que apresentaram melhor evolução nessa base de comparação foram máquinas e equipamentos (20,5%), veículos automotores (11,2%) e alimentos (4,9%). Pelo índice de dispersão medido pelo IBGE, 63% dos produtos industriais apresentaram crescimento.

Em sentido contrário, a produção de materiais elétricos e equipamentos de comunicações, com destaque para celulares e televisores, caíram 14,1%. Só as exportações de celulares em valor apresentaram uma queda de 80% entre janeiro e abril deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

O setor de madeira apresentou decréscimo de 8,6% em abril em comparação com o mesmo mês do ano passado.

"Predominantemente os setores com taxas negativas estão direta ou indiretamente perdendo espaço na exportação e sofrendo com as importações", disse Sales.

Ele lembrou do setor de automóveis que tem sofrido impacto do real apreciado em relação ao dólar, mas tem se sustentado no mercado doméstico.

 

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