Dinheiro
06/06/2007 - 17h54

Com dólar baixo, setor têxtil amarga déficit de US$ 349 milhões até maio

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

Com o impacto do dólar baixo e da concorrência chinesa, a indústria brasileira têxtil e de confecções acumula até maio um déficit comercial de US$ 349 milhões neste ano até maio. No mesmo período de 2006, o cenário ainda era de superávit de US$ 28,5 milhões.

Segundo representantes do setor, as medidas que devem ser anunciadas pelo governo para socorrer empresas intensivas em mão-de-obra não devem resolver o rombo neste ano. O diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções), Fernando Pimentel, projeta um déficit comercial de US$ 1 bilhão para 2007, que se for confirmado, significará o pior resultado desde 1997 (US$ 1,4 bilhão).

"É óbvio que as empresas não desaprenderam a produzir, comercializar, criar novos produtos, atender seus clientes de um ano para outro. Isso é fruto de uma mudança drástica nas variáveis macroeconômicas de competitividade quando comparadas com as concorrentes mundiais", afirmou.

Em 2006, os segmentos já amargaram um déficit de US$ 600 milhões. Em relação a este ano, Pimentel disse que o resultado negativo já era "bola cantada", com o cenário de superávit comercial, apreciação do real frente ao dólar e a alta taxa de juros --atualmente em 12,5% ao ano.

Pimentel reivindica que o Simples --regime tributário simplificado da micro e pequena-- empresa seja estendido a todas as empresas do setor por um prazo de cinco anos. Ele afirma que hoje muitas empresas têm preferido permanecer como pequeno porte para evitar a tributação maior. Ele pediu ainda maior empenho nos acordos preferenciais.

"A indústria não está pedindo nenhum favor nem subsídio a fundo perdido. Ela quer equanimidade nas variáveis competitivas", disse.

Ontem, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou que seria "faltar com a verdade" não admitir que o dólar baixo atrapalha a competitividade de setores da indústria e reconheceu ser "desejável" evitar uma maior apreciação cambial.

 

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