Dinheiro
15/06/2007 - 17h20

Abinee pede ao governo medidas efetivas em relação ao câmbio

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IVONE PORTES
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato, pediu hoje ao ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) medidas efetivas do governo federal em relação ao câmbio.

Em encontro com o ministro hoje em São Paulo, Barbato chegou a propor o retorno da banda cambial no Brasil, que consiste em estabelecer um piso e um teto para a flutuação do dólar. Desde 1999, o câmbio brasileiro flutua livremente.

"Eu falei [para o ministro] que do jeito que a situação está com o câmbio, com essa volatilidade, eu tomava a liberdade de propor a banda cambial, porque não é possível continuar diariamente com o real sendo apreciado", disse Barbato.

Outra proposta da Abinee para driblar a queda do dólar em relação o real é aumentar de 30% para 100% o percentual das receitas que os exportadores brasileiros podem manter fora do país. Barbato disse também ser a favor da taxação de capital especulativo que entra no país.

O presidente da Abinee afirmou que saiu otimista do encontro. Segundo ele, o ministro afirmou que novas medidas serão anunciadas em breve.

"O ministro não falou em prazos. Apenas disse para ficarmos tranqüilos e esperarmos, pois outras medidas estão em estudo, e que o pacote anunciado nesta semana é o primeiro e ainda não é suficiente", afirmou.

Câmbio

O dólar está no menor patamar dos últimos anos. Hoje, oscilou ao redor dos R$ 1,914. O valor baixo é prejudicial às empresas exportadoras, que registram lucro menor ao vender seus produtos no exterior, e também no mercado interno, já que os importados ficam mais baratos e atraentes.

Barbato demonstrou preocupação principalmente com a indústria doméstica de eletroeletrônicos que sofre grande concorrência de produtos importados. Quanto mais componentes nacionais as empresas utilizam, mais elas perdem em competitividade na comparação com os importados, em razão da apreciação do real sobre o dólar.

Dados da Abinee mostram que o segmento de produtos de utilidades domésticas --linha branca, marrom e portáteis--, por exemplo, fechou o primeiro trimestre deste ano com queda de 13% no faturamento, em comparação a igual período de 2006. Já as importações deste segmento cresceram 24% no período, enquanto as exportações tiveram retração de 4%.

No caso de informática, segundo a associação, o faturamento do setor avançou 9% nos primeiros três meses do ano sobre igual intervalo de 2006. As importações registraram expansão de 72% no período comparado, índice bem superior ao crescimento das exportações, que foi de 27%.

"Isso significa que produtos que eram montados, fabricados no Brasil, agora estão sendo importados", disse o presidente da Abinee.

Barbato afirmou que a Abinee deve entregar entre 30 e 40 dias ao Ministério do Desenvolvimento uma proposta de estimulo à política industrial brasileira.

"O ministro pediu que apresentássemos o mais rápido possível esse documento de política industrial", disse.

 

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