Integração e biocombustível farão Mercosul superar diferenças, diz Lula
da Efe
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que a integração produtiva e os programas de produção e consumo de biocombustíveis permitirão que as disparidades entre os países-membros do Mercosul sejam superadas.
Em discurso na 33ª Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção (Paraguai), Lula disse estar "convencido de que a integração das cadeias industriais, junto com a eliminação de barreiras injustificadas, é o melhor meio para [assegurar] o progresso eqüitativo" dos povos da região.
O presidente lembrou o "desafio energético" que o mundo enfrenta e que "os biocombustíveis oferecem oportunidades sem paralelo para transformar a região em um pólo industrial e tecnológico, na vanguarda dessa revolução energética".
A experiência brasileira mostra as vantagens ambientais, sociais e econômicas da produção de combustíveis alternativos, que também 'não compromete em nada a segurança alimentar de nosso país', assegurou Lula.
Ele destacou ainda que o Mercosul, em seus 16 anos de existência, "não é o que todos sonhavam, mas contribuiu de maneira excepcional para o desenvolvimento" de seus países-membros. "É um processo que levará alguns anos para alcançar seus objetivos", acrescentou o governante, que reconheceu que o maior desafio é a superação das graves assimetrias entre países e regiões do bloco.
Entre os mecanismos para a superação dessas disparidades, Lula destacou o acordo regional para erradicação da febre aftosa, que ajudará as exportações de carne, um dos produtos mais importantes da região.
Por outro lado, o presidente brasileiro disse que, nos próximos meses, Brasil e Argentina começarão a utilizar suas moedas locais no comércio bilateral. Além disso, elogiou a decisão de a experiência ser ampliada a todo o Mercosul.
Venezuela
O chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, disse que o governo paraguaio irá aguardar "o melhor momento" para enviar ao Poder Legislativo o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. "É preciso compreender que o presidente [do Paraguai, Nicanor Duarte] está vendo o melhor momento para enviar esse protocolo ao Congresso", disse.
O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul foi assinado em julho de 2006, mas até agora só foi ratificado pelos Congressos da Argentina e Uruguai.
O chanceler paraguaio lembrou que, para ser membro pleno do Mercosul, a Venezuela deve cumprir certos requisitos, como a incorporação de toda a normativa do bloco e um cronograma de eliminação das tarifas no comércio regional.
Fundo Monetário do Sul
O presidente do Equador, Rafael Correa, defendeu hoje a criação de um Fundo Monetário do Sul. O Fundo concentraria as reservas monetárias dos países da região para dar respaldo à "adoção de uma moeda comum".
Correa disse, durante a cúpula, que a América do Sul consegue poupar, mas suas reservas são enviadas "ao Primeiro Mundo". "É preciso buscar uma nova arquitetura financeira para a região que nos dê independência. Daí a extrema importância do Banco do Sul como banco de desenvolvimento."
Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela estão em processo de criação do Banco do Sul, com o qual financiarão projetos de desenvolvimento e infra-estrutura na região.
Moeda comum
Correa elogiou o mecanismo que está sendo testado por Argentina e Brasil para realizar transações comerciais em moedas nacionais, deixando de lado o dólar, um esquema a que se incorporarão gradualmente os países vizinhos.
Correa disse que o Fundo Monetário do Sul poderia ser um "banco central regional que possa respaldar uma futura moeda comum".
Em seu discurso, o governante anunciou que o Equador assinou a cláusula de compromisso democrático do Mercosul, bloco do qual o país é membro associado.
O Equador é país associado ao Mercosul. O bloco foi fundado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela está em processo de adesão.
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