Dinheiro
02/07/2007 - 11h54

Lula critica países ricos e diz que não abre mão de industrializados

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, ao participar de cerimônia pelos 50 anos da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), que o Brasil e outros países do G20 não irão reduzir a produção de produtos industrializados.

A divergência entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento na questão das tarifas aplicadas nos mercados agrícolas e de bens e serviços foi o que motivou a suspensão da reunião do G4 (grupo formado por Estados Unidos, União Européia, Índia e Brasil), há duas semanas, encontro que tentou destravar justamente as conversas da Rodada Doha.

"Os Estados Unidos e a União Européia queriam que nós abríssemos mãos de produtos industrializados e serviços. Tivemos coragem de não ceder aos interesses das economias desenvolvidas e fizemos questão de dizer que havia acabado aquele momento de subserviência. Nós queremos ser tratados em pé de igualdade", disse.

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Em evento da Scania, Lula também disse depreciação do dólar é problema dos EUA
Em evento da Scania, Lula também disse depreciação do dólar é problema dos EUA

Segundo Lula, os Estados Unidos se recusaram a reduzir os subsídios para a agricultura e os países da União Européia não queriam reduzir suas taxas.

Durante a reunião, disse o presidente, os EUA chegaram a propor que US$ 11 bilhões de subsídios agrícolas de 2006 fossem elevados para US$ 17 bilhões.

"Na verdade, eles [EUA] não queriam diminuir, eles queriam aumentar. A União Européia, falou, falou, falou, mas na hora de apresentar a carta que estava no bolso, não apresentou. O que eles queriam? Queriam que nós reduzíssemos o coeficiente dos produtos industriais. Para quê? Para mais produtos dos países desenvolvidos entrarem no Brasil", disse Lula.

"Chega de ser pequeno e de ser o país do futuro. O mundo precisa aprender que o Brasil resolveu assumir a sua grandiosidade geográfica também na economia", afirmou ainda o presidente.

Na semana passada, Lula já havia dito que se os Estados Unidos e a União Européia não aceitarem reduzir seus subsídios agrícolas, o Brasil não aceitará abrir o mercado industrial no âmbito das negociações na OMC (Organização Mundial do Comércio).

No evento de hoje, Lula ressaltou que a indústria automobilística superou sua fase de crise e que há até fila de espera para a compra de caminhões e veículos.

Dólar

No mesmo evento, Lula também falou sobre o mercado cambial e disse que a depreciação do dólar frente ao real é um problema dos EUA. "O real não está valorizado sobre o euro, por exemplo. O dólar está desvalorizado em relação a todas as moedas. Ninguém tem coragem de dizer porque [os EUA] são grande, mas há um déficit fiscal", disse.

O presidente afirmou que o câmbio flutuante é preferência do empresariado e que o governo não pode determinar seu valor, mas que está fazendo o possível para evitar prejuízos a alguns setores comprando US$ 12 bilhões por ano.

Para o presidente, se a cotação do dólar subir em relação ao real, também subirá a inflação e cairá o poder aquisitivo do trabalhador. "Se o dólar atender quem vende, prejudica quem compra e também o trabalhador", disse.

Em seu discurso, Lula voltou a afirmar que a economia nunca esteve tão estável e que a oferta de crédito no país foi de R$ 300 bilhões para quase R$ 800 bilhões. "Eu era socialista e fui presidente de um país capitalista que não tinha capital. Se o país é capitalista, precisa ter dinheiro", disse Lula.

 

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