Gastos de brasileiros no exterior bate recorde em maio
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A baixa cotação do dólar tem permitido ao brasileiro viajar mais para o exterior e esses gastos já estão quase 30% acima do registrado no ano passado. Só em maio essa despesa foi de US$ 648 milhões, o maior valor já registrado para um único mês e um crescimento de 30,9% em relação a maio de 2006.
"Isso é reflexo do real mais forte e o crescimento da renda interna, o que faz as pessoas viajarem mais [para fora]", afirmou Tulio Maciel, chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central.
Entre janeiro a maio, os brasileiros que viajam a turismo ou negócios deixaram lá fora US$ 2,801 bilhões, valor 28,9% superior aos cinco primeiros meses de 2006. A valorização do real frente ao dólar favorece o crescimento das viagens internacionais.
Essa contabilização considera os gastos feitos em outros países com moeda estrangeira ou cartão de crédito internacional, ou seja, inclui também as compras feitas por brasileiros em sites de comércio eletrônico estabelecidos no exterior. No entanto, não há a segregação desse tipo de despesa.
Já os estrangeiros que passaram pelo Brasil até maio deixaram no país US$ 2,094 bilhões, um aumento de 10,2% nessa receita. Em maio, essa entrada foi US$ 374 milhões, 9,4% maior que o mesmo mês do ano passado.
A diferença entre as receitas e as despesas resultou em um déficit de US$ 274 milhões em maio e de US$ 707 milhões no ano. No mesmo período do ano passado, o saldo estava negativo em US$ 273 milhões. A previsão para o ano é que a conta de viagens fique deficitária em US$ 1,8 bilhão, contra o saldo negativo de US$ 1,448 bilhão em 2006.
O BC informou que as receitas e despesas com viagens também foram recorde no acumulado de 12 meses encerrados em maio, US$ 4,510 bilhões e US$ 6,392 bilhões, respectivamente.
A parcial de junho até o dia 22 apresenta um déficit de US$ 229 milhões, com receitas de US$ 225 milhões e gastos de US$ 455 milhões.
Transportes
O gasto com passagens entra na conta de transportes, que está negativa em US$ 1,490 bilhão no ano --déficit de US$ 362 milhões em maio.
Nessa conta, além do gasto com passagens aéreas, também é contabilizado o frete pago pelas empresas para exportar ou importar produtos.
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