Lula pede paciência para dólar se acomodar; Mantega nega manobras artificiais
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Com o dólar abaixo de R$ 1,90 e sem a perspectiva de uma desvalorização do real no curto prazo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu "paciência" para que a moeda norte-americana encontre um novo patamar. Ele lembrou que a valorização do real frente ao dólar é conseqüência dos recursos das exportações e da entrada de investimentos.
"Nós vamos ter que aguardar com muita paciência para que o dólar se acomode. É assim e precisa ser assim e não me peçam para fazer nenhuma medida intempestiva", afirmou o presidente em discurso durante reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social".
Ele lembrou que o atual fluxo de moeda estrangeira para o país impede uma desvalorização do real, mesmo com as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio. Com essas compras, as reservas internacionais já ultrapassaram os US$ 150 bilhões.
O presidente defendeu que a economia brasileira está em um momento "inexorável" e que o governo não topará nenhuma medida precipitada. "A gente sabe que por mais que a situação esteja tranqüila, nós não vamos rasgar nota de cem. Nós não vamos dar nenhuma passo que possa significar um tropeço maior. Que possa quebrar a cara e voltar atrás. A volta atrás é muito pior."
Após o discurso do presidente, o ministro Guido Mantega (Fazenda), reafirmou que o Brasil não adotará medidas "artificiais" para restringir a entrada de moeda estrangeira no país.
"O governo não vai cometer nenhum artificialismo. Não vai lutar contra a corrente. Não vai fazer nenhuma besteira. As coisas estão indo bem e nós temos que aceitar que há uma enxurrada de dólares (...) o que evidentemente causa a valorização", explicou.
O ministro lembrou que medidas de controle de capitais como as adotadas pelo Colômbia não deram certo e o Brasil não cometerá o mesmo erro sob o risco de "estragar o que está dando certo".
Na avaliação de Mantega, embora a valorização do real frente ao dólar afete alguns setores, a indústria cresceu no primeiro semestre a taxas maiores que no mesmo período do ano passado, e que essa expansão tem se refletido também na criação de novas vagas no setor.
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