Dinheiro
24/07/2007 - 17h35

Bovespa cai 3,86% e volta a operar abaixo dos 56 mil pontos

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MÁRCIO RODRIGUES
da Folha Online

Em um dia de realização de lucros, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve forte queda nesta terça-feira. O Ibovespa (principal índice da Bovespa) fechou com recuo de 3,86%, aos 55.794 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,83 bilhões. Trata-se da maior queda do índice desde 27 de fevereiro, quando o Ibovespa recuou 6,6%, aos 43.145 pontos. Na última quinta-feira, o Ibovespa havia registrado um novo recorde, aos 58.124.

O dólar comercial fechou em alta de 1,14%, cotado a R$ 1,863 para venda nos últimos negócios desta terça-feira. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcou os 180 pontos às 17h30, com avanço de 6,5%.

Em um dia com agenda econômica fraca, o pregão brasileiro seguiu a tendência de baixa verificada nas Bolsas americanas, influenciadas por resultados corporativos abaixo do esperado e, principalmente, pela preocupação com o setor imobiliário.

Segundo André Borghesan, analista da corretora Souza Barros, as preocupações em torno do crédito imobiliário "subprime" (alto risco) voltaram a rondar os investidores. Hoje, a Countrywide Financial Corp., maior empresa dos Estados Unidos de financiamento imobiliário, anunciou queda de 33% no lucro do segundo trimestre, que foi de US$ 485 milhões. Este é o terceiro trimestre seguido de queda nos resultados da companhia.

"A tônica da queda foi ditada por essa preocupação. Algumas notícias já dão conta de que o crédito subprime começa a atingir também os empréstimos corporativos, mostrando que outros setores podem ser afetados", analisa Borghesan. Nesta quarta e quinta-feiras, serão divulgados índices referentes ao setor imobiliário nos Estados Unidos.

Na âmbito corporativo, a Dupont apresentou lucro de US$ 972 milhões no segundo trimestre, contra US$ 975 milhões no mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas.

Os papéis da American Express caíram com a notícia de que a empresa ampliou a reserva de dinheiro para perdas com inadimplência de clientes. A empresa teve um aumento de 12% em seus lucros no trimestre passado. As ações da rede de restaurantes fast food McDonald's também tiveram queda, após o anúncio de um prejuízo de US$ 711,7 milhões no segundo trimestre de 2007, contra um lucro de US$ 824,1 milhões no mesmo período do ano passado.

Já o lucro da americana PepsiCo, segunda maior fabricante mundial de refrigerantes, registrou um crescimento de 13% em, chegando a US$ 1,56 bilhão.

"Qualquer coisa já é motivo para realização, ainda mais diante das últimas altas verificadas nas Bolsas", afirma Borghesan.

Na cena doméstica, os investidores aguardam, principalmente, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária). De acordo com analistas, devido ao placar apertado da última reunião, a ata pode indicar os rumos da política monetária para o restante do ano. Na semana passada, o Copom decidiu cortar os juros em 0,5 ponto percentual --quatro votos favoráveis--, para 11,5% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi defendido por três participantes da reunião.

Ações

Segundo o analista da Souza Barros, as ações da Petrobras também tiveram forte baixa e influenciaram de forma "substancial" a queda do Ibovespa. "Essa desvalorização ocorreu por três razões. Além da realização de lucros, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) impôs uma multa de R$ 1,3 bilhões para a empresa. Hoje, um membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) afirmou que a organização irá atender o mercado e até elevar a produção se necessário", elencou Borghesan.

Os papéis ON (ordinárias) da empresa recuaram 5,34%, vendidos a R$ 62,66. As ações PN (preferenciais) caíram 5,61%, negociadas a R$ 54,27. No fim do pregão, as ações da Companhia Vale do Rio Doce também tiveram recuo. Os papéis ON caíram 2,46%, a R$ 95. Já as ações PNA (preferenciais) da empresa desvalorizaram 3,11%, a R$ 80,90. Petrobras e Vale do Rio Doce respondem por boa parte do movimento do Ibovespa.

Já as ações da TAM continuaram em queda influenciadas pelo acidente que envolveu um avião da companhia na última terça-feira --as ações já acumulam queda próxima a 20%. Os papéis PN recuaram 2,39%, a R$ 53,05. Os papéis PN da Gol também fecharam em queda de 1,49%, a R$ 50.

 

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